França menos desfalcada contra Brasil

A seleção que representa a França, na Copa das Confederações, tem desfalques, mas não está tão desfigurada quanto a do Brasil. Os campeões do mundo e da Europa não levaram à Coréia do Sul titulares como o goleiro Barthez, o lateral Thuram, os meias Petit e Zidane, além do atacante Henry. Mas o técnico Roger Lemerre conta com Silvestre, Desailly, Lizarazu, Vieira, Pires, Wiltord, que formam a base da equipe e têm sido utilizados com regularidade.A França mudou relativamente pouco desde os 3 a 0 sobre o Brasil, em 12 de julho de 1998, na final da Copa. A primeira alteração veio no comando, com a saída de Aimee Jacquet, que abriu espaço para seu discípulo e colaborador Lemerre. A equipe que entrou para a história do futebol ficou sem o líbero Blanc e o capitão Deschamps apenas no ano passado, depois da conquista da Euro-2000. Não por opção tática ou técnica, mas porque ambos decidiram dedicar-se apenas às atividades em seus clubes. O volante Karembeu e o atacante Guivarc´h perderam espaço por causa de queda de desempenho.Lemerre faz experiências, testa jogadores, arma o time para 2002. O treinador se dá ao luxo de analisar reservas como Coupet e Landreau (goleiros), Gillet, Brechet e Silvestre (zaga), Carriere, Dacourt (meias), Robert, Nee, Marlet (no ataque). Mas, nos momentos mais importantes, recorre ao grupo que trabalha junto há pelo menos cinco anos. Por isso, há boa probabilidade de a França ter, na abertura do torneio do ano que vem, os mesmos Barthez, Thuram, Desailly, Lizarazu, Zidane, Petit, Djorkaeff que fizeram a festa do país no Stade de France contra Taffarel, Dunga, Ronaldo, Zagallo e Cia.A constância faz também com que o retrospecto seja extraordinário nos últimos anos, a ponto de desbancar o Brasil na liderança do ranking da Fifa, depois de sete anos, como ocorreu finalmente em maio. Desde a conquista do Mundial, os "Bleus" (os Azuis) jogaram 39 vezes, com 27 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Três dessas vitórias foram por 2 a 1 e vieram na "morte súbita" - contra Espanha, Portugal e Itália, respectivamente - nas etapas decisivas do Campeonato Europeu disputado na Holanda e na Bélgica.A proeza de passar pelos campeões ficou por conta apenas de Rússia (3 a 2, em 99, na fase de classificação para a Euro-2000), Holanda (3 a 2, na primeira fase da Euro-2000), Espanha (2 a 1, em amistoso disputado em 28 de março deste ano) e Austrália (1 a 0, na Copa das Confederações).Brasil - De acordo com o jornalista francês Francis Huertas, do L´Equipe, a seleção de seu país considera apenas relativamente importante a partida com o Brasil. "Tanto num quanto no outro time há grandes desfalques e todos sabem que a Copa das Confederações não tem o mesmo charme da Copa do Mundo", declarou. Cinquenta jornalistas franceses estão credenciados para cobrir a competição.No escuro - Para o treinador da seleção brasileira, o jogo com a França é imprevisível. Ele disse que primeiro havia uma expectativa grande no Japão para que o Brasil enfrentasse Camarões e devolvesse a derrota imposta pelos africanos nos Jogos Olímpicos de Sydney. E que, agora, todos só falam na "vingança" do Brasil contra os atuais campeões do mundo. "Tudo em seu tempo certo, o importante é o respeito ao adversário e a vontade de vencer." Ele disse que não se interessa pelo "charme" do jogo. Que isso é um aspecto irrelevante, destacando sua preocupação com o potencial técnico e físico da equipe e a aplicação tática. Sobre eventuais mudanças para a disputa das semifinais, quinta-feira, em Suwon, na Coréia do Sul, comentou que teria algumas horas a mais para tomar qualquer decisão. Nesta terça-feira, a equipe segue para a capital coreana, Seul, e treina à tarde no Estádio Olímpico da cidade.

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