França quer cota para jogadores negros, revela site

O futebol francês foi tomado por um escândalo de racismo. Denúncias feitas esta semana apontam que a Federação Francesa de Futebol orientou clubes e escolinhas a limitarem a entrada de negros e árabes em suas equipes de base para que a próxima geração seja "branca" e "europeia". A reação da Federação foi de negar categoricamente a acusação. Mas, pressionada pelo governo, ordenou investigação no que promete ser o maior escândalo de racismo no futebol europeu.

JAMIL CHADE, Agência Estado

30 Abril 2011 | 09h31

Uma reportagem investigativa feita pelo site Mediapart revelou que o conselho técnico da Federação decidiu, em novembro do ano passado, passar instrução aos clubes e escolinhas oficiais para estabelecerem cota de apenas 30% para jogadores "não brancos" entre 12 e 13 anos.

Nos últimos anos, a seleção da França passou imagem de um país multicolor e seus craques, imigrantes ou filhos. Zidane, o maior astro da história do país, é muçulmano e filho de argelinos. Outros, como Anelka, Evra, Malouda, Thierry Henry também são do Magreb e da África.

A reportagem acusou Laurent Blanc, técnico da seleção, de ser favorável à decisão. Durante a reunião de novembro, Blanc teria usado a seleção Espanha como exemplo. "Eles não têm negros", teria dito. Na sexta-feira, o técnico foi obrigado a convocar coletiva para dizer que as revelações são falsas. Para Blanc, a questão é dar "chances aos jogadores de menor tamanho, mas que tenham qualidade de drible e inteligência, sejam eles brancos ou não". Blanc, na reunião, teria dito que as escolinhas davam atenção aos jogadores fortes. "E quem são os mais fortes? Os negros".

O técnico da seleção sub-21 da França, Erick Mombaerts, revelou que o Olympique de Marselha e o Lyon já iniciaram a adoção das cotas. Pape Diouf, ex-presidente do Marselha, afirmou não estar surpreso. "A verdade é a seguinte: o futebol francês é a imagem da sociedade francesa, é racista".

PARA LEMBRAR - Quando a França venceu a Copa de 1998, o país se uniu e cunhou um termo que ficaria marcado na história da sociedade francesa: no lugar de azul, branco e vermelho da sua bandeira, a França seria "país do branco, negro e marrom", em referência à composição multiétnica de sua população.

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