França suspende diretor técnico após caso de racismo

O Ministério do Esporte da França anunciou a suspensão do diretor técnico da Federação Francesa de Futebol (FFF), Francois Blaquart, um dia depois da publicação de uma reportagem bombástica que revelou que a entidade teria orientado clubes e escolinhas do país a limitarem a entrada de negros e árabes em suas equipes de base para que a próxima geração de jogadores franceses seja "branca" e "europeia".

AE-AP, Agência Estado

30 de abril de 2011 | 13h19

Após o caso de racismo estourar, a FFF negou categoricamente a acusação, mas, pressionada pelo governo francês, ordenou a investigação que acabou provocando a suspensão de Blaquart. Em comunicado assinado em conjunto com a entidade que dirige o futebol francês, o Ministério do Esporte da França informou que a pena aplicada, de caráter preventivo, tem efeito imediato e a situação futura do dirigente agora dependerá do desenrolar das investigações.

Uma reportagem investigativa feita pelo site Mediapart revelou que o conselho técnico da FFF decidiu, em novembro do ano passado, passar instrução aos clubes e escolinhas oficiais para estabelecerem cota de apenas 30% para jogadores "não brancos", de ascendência africana e árabe, entre 12 e 13 anos de idade.

O presidente da FFF, Fernand Duchaussoy, e o técnico da seleção francesa, Laurent Blanc, negaram na última sexta-feira as acusações. O treinador da França chegou a chamar a reportagem, que o acusou de ser favorável à decisão, de uma "mentira".

No comunicado que publicou neste sábado, a FFF "reiterou que nenhum de seus dirigentes eleitos validariam ou sequer imaginariam uma política de cotas" para formação de jogadores para a seleção francesa.

Nos últimos anos, a seleção da França passou imagem de um país multicolor e seus craques, imigrantes ou filhos. Zidane, o maior astro da história do país, é muçulmano e filho de argelinos. Outros, como Anelka, Evra, Malouda e Thierry Henry também são do Magreb e da África.

Quando a França venceu a Copa do Mundo de 1998, o país se uniu e cunhou um termo que ficaria marcado na história da sociedade francesa: no lugar de azul, branco e vermelho da sua bandeira, a França seria "país do branco, negro e marrom", em referência à composição multiétnica de sua população.

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