Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

França teme dano à imagem do país por crise na seleção

Patrocinadores revisam contratos com federação e jogadores após série de problemas.

Daniela Fernandes, BBC

21 de junho de 2010 | 16h42

A rebelião da seleção francesa de futebol, que se recusou a treinar no domingo, deixou os franceses - incluindo membros do governo - preocupados em relação à imagem do país no exterior. A crise na equipe também já levou patrocinadores a retirar ou reanalisar a difusão de campanhas publicitárias com os jogadores.

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"No exterior, todo mundo está tirando sarro de nós", declarou nesta segunda-feira o ministro da Imigração, Éric Besson. "Será que eles têm consciência da imagem que transmitem?", questionou o ministro, acrescentando que "os jogadores têm uma responsabilidade pedagógica em relação aos jovens".

Os atletas se recusaram a participar no domingo de um treino aberto ao público para protestar contra o corte do atacante Nicolas Anelka. Segundo a imprensa francesa, Anelka deixou a seleção por ter xingado com palavrões o treinador, Raymond Domenech, durante o jogo contra o México.

Zidane

"Não estou de acordo com essa decisão de não participar do treino. Vamos nos lembrar de duas coisas nesta Copa do Mundo: o nome do vencedor e o fato de que a seleção francesa se recusou a treinar antes do jogo contra a África do Sul", disse o ex-jogador Zinedine Zidane.

"Eu era capitão, mas tinha um treinador acima e o respeitava. Eu seguia as regras. É assim que as coisas têm de ocorrer", afirmou o ex-jogador francês.

"É uma caricatura da França, uma novela horrível", declarou o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner. O chanceler disse esperar que o episódio não afete a imagem da França. "Não sou especialista, mas espero que melhoremos rapidamente essa imagem, se ela for afetada", afirmou Kouchner.

A pedido do presidente Nicolas Sarkozy, a ministra dos Esportes, Roselyne Bachelot, convocou nesta segunda-feira uma reunião de crise em Bloemfontein, na África do Sul, com o capitão da equipe francesa, Patrice Evra, o presidente da Federação Francesa de Futebol, Jean-Pierre Escalettes, e o técnico Raymond Domenech.

"A forte pressão sofrida pelos jogadores não autoriza derrapagens. Eles têm de se lembrar de que vestem as cores da França e que são considerados como modelos por muitos jovens. Isso os obriga a ter controle e dignidade", afirmou a ministra dos Esportes.

Federação

Em um comunicado sobre a recusa da seleção de treinar no domingo, a Federação Francesa de Futebol (FFF) pediu "desculpas pelo comportamento inadmissível dos jogadores que representam" o país. "Esse movimento inaceitável é a consequência da saída de Nicolas Anelka, injustificada, segundo os jogadores", diz o comunicado.

Mas, segundo a federação, "contrariamente ao que dizem os jogadores, a sanção foi tomada após uma longa conversa com o interessado (Anelka), na presença do capitão (Evra)".

Após a recusa dos "bleus", como é chamada a seleção francesa, de treinar no domingo, o diretor da FFF, Jean-Louis Valentin, anunciou sua demissão.

A imprensa francesa descreveu o comportamento dos jogadores de "psicodrama" e "surrealista".

Os patrocinadores também estão descontentes com a crise da seleção francesa. O banco Crédit Agricole anunciou nesta segunda-feira o fim antecipado de uma campanha publicitária, que deveria terminar na sexta-feira, "em razão dos recentes acontecimentos" na Copa do Mundo.

A propaganda com Nicolas Anelka para o fast-food Quick também foi encerrada. A GDF-Suez informou que vai reexaminar sua parceria com a seleção francesa após o término da Copa e afirmou que a equipe "transmite uma imagem degradada do esporte".

A França enfrenta a África do Sul nesta terça-feira e torce por uma combinação de resultados para passar às oitavas-de-final do Mundial. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

 

 

 

 

 

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