Felipe Trueba/EPA/EFE
Luzhnik. O estádio em Moscou é palco da final da Copa do Mundo  Felipe Trueba/EPA/EFE

França tenta se firmar como potência e Croácia busca título inédito

Em uma Copa em que a força dos conjuntos se sobressaiu aos talentos individuais, franceses e croatas chegam à decisão com justiça

Glauco de Pierri, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O último capítulo da Copa do Mundo da Rússia será escrito neste domingo, 15, às 12 horas (horário de Brasília), no imponente estádio Luzhniki, em Moscou, em trama que traz como protagonistas dois personagens cheios de história e duas escolas de estilos diferentes. De um lado, a favorita seleção da França, campeã mundial pela primeira vez em 1998 e que, desde então, tem marcado presença em decisões importantes. Ao seu lado, os franceses contam com a experiência do técnico Didier Deschamps, capitão do título de 20 anos atrás, além de uma geração jovem e talentosa, com Mbappé, Griezmann e Pogba. Do outro lado, a surpreendente a Croácia, que chega à sua primeira decisão de Mundial. Para isso, conta com o seu futebol coletivo e com suas conhecidas armas, os craques Modric, Rakitic e Mandzukic

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Em uma Copa onde a força dos conjuntos das equipes se sobressaiu aos talentos individuais, França e Croácia chegam à decisão deste domingo com justiça.

Nas estatísticas da Fifa, os croatas sofreram cinco gols contra quatro dos franceses, mas possuem o melhor sistema defensivo (entende-se por sistema defensivo a capacidade de o time desarmar o adversário): a seleção tomou a bola do rival 272 vezes. Contudo, quem lidera o número de desarmes no geral é um francês. O volante Kanté recuperou a posse de bola nada menos do que 48 vezes para a sua seleção no Mundial.

FORÇA MENTAL

A Croácia possui o “motorzinho” da competição. O meia Modric, tricampeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid, já correu incríveis 63 quilômetros nos seis jogos do time, o que dá média de mais de 10 km por partida. Mas a França também tem o seu “fundista”. Trata-se mais uma vez de Kanté, um dos dois jogadores da equipe a jogar os seis jogos do Mundial sem ser substituído nenhuma vez (o outro é o zagueiro Raphael Varane).

 

Kanté correu 62,7 quilômetros, apenas 300 metros a menos do que o oponente, o que também o deixa com média acima dos 10 km a cada partida.

A seleção de Modric chega para a decisão com uma sequência de três prorrogações disputadas e vencidas - nunca uma seleção havia conseguido tal feito. 

Para isso, o técnico Zlatko Dalic fez o time trabalhar em conjunto. Um exemplo foi o jogo contra a Inglaterra, onde a equipe teve um péssimo primeiro tempo e depois, na segunda etapa e na prorrogação, sobrou em campo. “Apenas pedi para os meus jogadores se divertirem. Depois do jogo, cada um tem de olhar no olho do companheiro e saber que houve entrega máxima em campo. Estou orgulhoso de todos”, disse Zlatko.

A força psicológica também é uma arma croata e isso vem de longe. O país sempre foi o que mais cedeu jogadores aos grandes times formados pela ex-Iugolávia, incluindo os craques Boban e Davor Sucker - o artilheiro da Copa do Mundo de 1998 - ele é o presidente da Federação Croata de Futebol. Com esse respaldo, a equipe entra em campo com força mental suficiente para dominar as partidas - ou então buscar energia para reverter um placar.

Para a França, ainda corre mais uma estatística, essa ligada a Didier Deschamps. Com oito vitórias em suas últimas 11 partidas à frente da seleção, o técnico tem 73% de aproveitamento, o maior índice entre todos os treinadores que trabalharam na Copa. Deschamps conhece seu elenco a fundo e é capaz de tirar o melhor de cada jogador. Além disso, o grupo já deixou claro que joga por seu treinador, admirado por sua humildade (ele é um campeão do mundo) e trabalho em equipe. 

Técnico da França que conquistou a Copa de 1998, Aimé Jacquet falou ao diário francês Le Parisien sobre a personalidade do único francês que pode se tornar bicampeão do mundo, uma vez como jogador e outra como técnico. “Didier muitas vezes insiste na importância do grupo. Ele entendeu que sozinhos, nesse ambiente, não vamos muito longe”, contou Jacquet. “Se na sua mensagem você não tocar no coletivo, você perdeu. Não devemos nos esquecer que ele sempre foi capitão por onde passou em sua carreira como jogador. Ele era respeitado por todos porque respeitava todos. Ele ouvia os seus companheiros antes de falar e sempre foi melhor do que qualquer um para fazer isso.”

Caso conquiste o título, a França entrará para o seleto grupo dos bicampeões mundiais, que conta com Uruguai e Argentina (última seleção a atingir dois títulos ao vencer a Copa de 1986, no México). 

Não faz tanto tempo assim que o Mundial teve um campeão inédito. Em 2010, a Espanha levou o seu primeiro título ao bater a Holanda. Se vencer, a Croácia entra para esse grupo. França, Espanha e Inglaterra têm uma conquista cada.

FESTA

Trinta minutos antes do apito inicial, a cerimônia de encerramento terá o ator Will Smith, que cantará ao lado do cantor latino Nicky Jam e da e da cantora albanesa Era Istrefi a música Live it Up, considerada o tema do Mundial. Na plateia, o Kremlin confirmou a presença dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da França, Emmanuel Macron, e da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic.

 

 

 

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Campeão em 98, Deschamps busca título para se igualar a Zagallo e Beckenbauer

Treinador trabalha sob a sombra do mito Zinedine Zidane, craque da seleção e tricampeão da Liga das Campeões como técnico

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O francês Didier Deschamps precisa de apenas uma vitória para ser campeão do mundo como jogador e treinador. Só o brasileiro Zagallo (1958, 62 e 70) e o alemão Franz Beckenbauer (1974 e 90) ostentam essa honra. “O treinador tem uma estrela. Ele ganhou o título. Ele foi um grande jogador, um capitão, um líder. Ele se aproxima dos jogadores e faz isso bem”, afirmou o meia Paul Pogba.

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A chegada à final foi um trunfo pessoal do técnico. Ao eliminar os belgas, Deschamps se tornou o primeiro técnico da história da seleção francesa a se garantir na final dos dois principais torneios que ela disputa: a Copa do Mundo e a Eurocopa. Quem o contestava agora o chama de “técnico dos grandes torneios”. Deschamps conseguiu consolidar a ascensão da França no cenário mundial. É a terceira final em 20 anos, uma a mais do que Brasil e Alemanha. 

Quando se classificou à semifinal, ele disse que a campanha não poderia mais ser considerada um fracasso, uma cutucada na exigente imprensa francesa. “Nosso progresso é enorme. Nosso time hoje é competitivo. Estamos no caminho certo. Estamos orgulhosos”, avaliou. “É uma honra estar aqui, um privilégio.” 

Deschamps trabalha sob a sombra do mito Zinedine Zidane, campeão em 1998 como craque da seleção francesa e tricampeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid como técnico. Ele decidiu sair do clube espanhol no auge e estava preparado para assumir a seleção já em agosto, caso o time fosse mal. A campanha excelente na Copa deu sobreviva a Deschamps no cargo. 

 

Existe certa implicância com o treinador na França. Ele assumiu o time em 2012 e, no Mundial do Brasil, foi eliminado nas quartas de final diante da Alemanha. Com um time mais maduro, a expectativa da torcida era alta para a Eurocopa de 2016, mas, até hoje, os franceses não engoliram a derrota para Portugal em casa, e ainda com Cristiano Ronaldo machucado. 

Os franceses torcem o nariz para o futebol pragmático da seleção, que praticamente não sofreu na Copa do Mundo da Rússia. É um futebol consistente, mas que ainda não deu espetáculo. Todos querem mais de um técnico que tem Mbappé, Pogba e Griezmann nas mãos. Independentemente do resultado da final deste domingo, 15, Deschamps deve ter seu contrato renovado até 2020 para a disputa da Eurocopa. Aí, sim, Zidane poderá assumir a seleção francesa. 

 

 

 

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Zlatko Dalic virou técnico da seleção croata por ‘emergência’

Trajetória do treinador 51 anos já se transformou em uma espécie de conto de fadas; seu salário é sete vezes menor ao de Deschamps

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O técnico da Croácia, Zlatko Dalic, tem contrato com a Federação Croata de R$ 2,4 milhões por ano. Por mês, ele ganha R$ 200 mil. Isso representa mais ou menos sete vezes menos do que recebe o seu rival deste domingo, 15, Deschamps, que tem rendimento anual de R$ 16 milhões (ou R$ 1,3 milhão por mês). Dalic não tem trabalhos expressivos no currículo e foi escolhido como treinador emergencial que deu certo.

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A trajetória do croata de 51 anos já se transformou em uma espécie de conto de fadas dos treinadores mundiais. O presidente da federação, Davor Suker, demitiu o técnico Ante Cacic por causa da má fase da seleção nas Eliminatórias Europeias para a Copa. Para o seu lugar, chamou Dalic, que seguia fazendo bom trabalho no Al-Ain, já tinha sido auxiliar da seleção de base da Croácia e estava dando sopa por Zagreb. 

O trato era o seguinte: ele comandaria os croatas no jogo contra a Ucrânia. Caso a seleção fosse eliminada, o interino voltaria ao seu trabalho. Vida que segue. Em caso de conseguir o milagre da vaga na repescagem, Dalic teria mais dois jogos de teste. O treinador falou com os jogadores pela primeira vez no aeroporto, dois dias antes do jogo. A Croácia venceu a Ucrânia, foi à repescagem e conseguiu a vaga para a Rússia. O interino, então, estava efetivado. 

Foram apenas duas datas da Fifa e quatro ou cinco treinos até a preparação dos dias que antecederam o Mundial da Rússia. Neste domingo, ele é finalista.

 

Dalic era volante do Hadjuk Split, e foi emprestado ao Varteks, clube onde encerrou a carreira como jogador para se tornar assistente técnico de Miroslav Blazevic, técnico na Copa de 1998. Depois de cinco anos trabalhando na Croácia e na Albânia, Dalic passou a maior parte de sua carreira no Oriente Médio. Seu último clube antes da seleção foi o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos.

Ele tem um estilo diferenciado, mais espontâneo e distante das amarras dos cursos de media training de outros treinadores. “Nosso resultado é um milagre. Daqui a três meses, vamos jogar contra Espanha e Inglaterra pela Liga das Nações e não temos um estádio apropriado para atuar.”

Ele aproveitou para reclamar também do preconceito dos clubes europeus em relação aos técnicos croatas. “Nós não somos respeitados na Europa. Temos grandes técnicos croatas e eles são subestimados. Eu comecei por baixo. Me dê o Barcelona ou Real Madrid e eu vou ganhar títulos”, prometeu o finalista da Copa do Mundo da Rússia. 

 

 

 

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Após 2 vices, Griezmann só quer saber da vitória na final da Copa

Atacante francês tenta apagar frustrações com a perda dos títulos da Liga dos Campeões e da Eurocopa em 2016

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O título da Liga Europa que Antoine Griezmann conquistou pelo Atlético de Madrid neste ano não foi suficiente para apagar dois vice-campeonatos recentes. Ele foi derrotado na final da Eurocopa por Portugal e na Liga dos Campeões pelo Real Madrid. Ambas em 2016. A final de hoje é um acerto de contas com o passado de frustrações. “Joguei essas duas finais e perdi as duas. A terceira não é possível”, afirmou o francês.

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O atacante está em segundo plano, pois os holofotes estão todos em Mbappé. Mas ele continua sendo efetivo. Nas últimas 20 partidas pela França, Griezmann participou diretamente de 20 gols. Foram 12 gols e oito assistências. 

Na Copa do Mundo, os números são ainda melhores. Ele teve participação direta em cinco dos dez gols dos Bleus na Rússia. Só o inglês Harry Kane foi mais ativo ao participar de seis gols. Dois exemplos. Diante da Bélgica, nas semifinais, ele bateu o escanteio para o gol do zagueiro Umtiti. Nas quartas de final, contra o Uruguai, ele fez um gol e deu a assistência para o outro, marcado pelo defensor Varane. “Foi o objetivo que estabeleci no começo da competição. Comecei devagar para chegar ao topo, e espero que aconteça na grande final”, revelou. 

Griezmann sintetiza todas as características que um atacante moderno precisa ter: velocidade, habilidade e finalização precisa. Na campanha atual, ele confessa que seu jogo mudou. Realiza mais vezes a função de garçom, aquele que dá o passe de lado, e menos a de finalizador. Ele foi artilheiro da Eurocopa com seis gols, mas o time ficou apenas com o vice-campeonato. “Meu jogo mudou, estou em uma função de dar o ritmo de que a equipe precisa, criar as chances fortes, segurar a bola ou acelerar. Se eu marcar, melhor, mas sou um jogador que pensa na equipe”, disse. Contra a Bélgica, chegou a jogar atrás da linha do meio de campo.

 

Embora o atacante seja um dos mais queridos pela torcida, sua passagem pela seleção também teve problemas disciplinares. Em 2012, ele foi suspenso pela Federação Francesa após uma saída noturna da concentração não autorizada antes de jogo decisivo do time sub-20. Como punição, ficou fora de todas as equipes nacionais no período de novembro de 2012 a dezembro de 2013. Ele cumpriu a punição e teve de recuperar o prestígio e a confiança. 

Ao fim do jogo da semifinal, Griezmann desabou no gramado e começou a chorar. Era o desabafo de um jogador que vem sendo importante para a França há tempos, mas que ainda precisa de um título, uma chancela para subir de patamar no futebol mundial. 

BOM HUMOR

Mostrando um bom humor incomum nos últimos dias, principalmente após a vitória sobre a Bélgica, Griezmann deu a resposta mais espirituosa entre todas as coletivas realizadas na Copa da Rússia. O tema eram as críticas que o goleiro belga Courtois havia feito para o estilo da França, que considerou excessivamente defensivo. “Não, Courtois tem que parar com isso. Ele jogou no Atlético e foi campeão espanhol. Ele joga no Chelsea. Acha o quê, que joga no Barcelona? (risos)”, ironizou, referindo-se ao estilo de jogo das equipes por onde passou. Detalhe: hoje, Griezmann joga no próprio Atlético de Madrid e recusou uma proposta para atuar no Barcelona. 

Sempre cotado para o posto de melhor do mundo, o atacante do Atlético de Madrid afirmou que não pensa na homenagem. Além dele, seu colega Mbappé e o rival Modric estão no páreo. A disputa ficou mais acentuada com a eliminação precoce de Messi, Cristiano Ronaldo, Salah e Neymar. “Se ganharmos, com ou sem Bola de Ouro, não me importo nem um pouco. Quero ganhar a Copa do Mundo e farei tudo em campo para conseguir”, afirmou.

 

 

 

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Croata por escolha, Rakitic trocou Arquitetura por futebol

Meia do Barcelona nasceu na Suíça e chegou a atuar pelas seleções de base do país

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O meia Ivan Rakitic vai completar neste domingo, na final da Copa do Mundo, sua 71.ª partida na temporada. Um recorde absoluto entre os finalistas. Nenhum outro jogador do mundo jogou tanto. Foram 55 vezes pelo Barcelona e mais 15 partidas pela seleção croata.

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A última partida foi dramática. No dia anterior ao jogo diante da Inglaterra, ele teve febre de 39 graus e correu risco de não jogar. Teve de convencer o médico e o treinador de que tinha condições. “Não há problema (jogar 70 partidas). Vai ser um jogo histórico, não apenas para os jogadores, mas para todo o mundo. Vamos carregar um ao outro. Sabemos que é o maior jogo das nossas vidas”.

Se Modric é o cérebro da equipe croata, Rakitic é o coração. A exemplo do companheiro, ele é um marcador, mas também um criador de jogadas. Até agora, ele fez um gol, 14 finalizações e roubou a bola 32 vezes.

Não apenas os números de partidas mostram sua doação, mas sua própria história. Nascido na Suíça e filho de croatas, o meia escolheu defender o país sem nunca ter morado lá. Não foi simples. Ele chegou a jogar pelas seleções de base da Suíça. Só aceitou atuar pelo país dos pais em 2007, quando recebeu uma ligação de Slaven Bilic, na época técnico da seleção principal da Croácia. “Acho que não há sentimento melhor do que ser croata. Quando eu decidi jogar pela Croácia, eu tinha sonhos. Queria jogar uma final de um grande campeonato a cada dois anos. E chegar aqui é a realização de um grande sonho.”

 

Ivan Rakitic estudou Arquitetura e fala oito idiomas (croata, inglês, espanhol, catalão, italiano, francês, alemão e alemão-suíço). Quando ainda morava na Suíça, tentou conciliar a carreira de arquiteto e a rotina de atleta do Basel. Ele trabalhou no escritório que redesenhou o Estádio Olímpico de Berlim e projetou o Ninho do Pássaro em Pequim. “Tentei estudar, mas era impossível com a carreira de jogador. Tudo que você aprende acaba podendo usar um pouco no futebol”, revelou.

O nacionalismo é um tema importante. Ele fez questão de agradecer publicamente ao tenista sérvio Novak Djokovic, que declarou sua torcida pela Croácia e recebeu críticas por isso. Sérvios e croatas são rivais desde o dissolução da Iugoslávia, nos anos 1990. “Quero que domingo seja um dia de títulos para nós dois. As pessoas precisam entender que somos seres humanos. A história fica para trás”, disse. Rakitic não foge das perguntas. Diante da questão sobre Djokovic, o assessor de comunicação mostrou preocupação e tentou um jeito de bloquear a resposta. Rakitic não se alterou e respondeu.

 

 

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