Thomas Samson/ AFP
Thomas Samson/ AFP

Franceses tomam as ruas de Paris para festejar o título da Copa do Mundo

Centro foi parcialmente fechado ao trânsito; polícia registrou confrontos e depredação de lojas na Avenida Champs-Elysées

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 16h40
Atualizado 15 de julho de 2018 | 20h47

A festa dos novos campeões mundiais levou uma maré humana aos principais pontos turísticos de Paris tão logo o confronto entre França e Croácia chegou ao fim em Moscou. Organizados em duas grandes fan-zones, uma na Avenida Champs-Elysées e outra junto à Torre Eiffel, centenas de milhares de franceses comemoraram o título, o segundo em 20 anos. Nas ruas da capital, gritos, buzinas e fogos de artifício se tornaram o ruído ambiente com a vitória de 4 a 2 que deu aos Bleus o bicampeonato na Copa do Mundo – a primeira conquista no exterior. Incidentes envolvendo torcedores foram registrados na noite deste domingo, em Paris. A polícia registrou confrontos e até depredação de lojas na Champs-Elysées.

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A comemoração foi organizada pelas autoridades públicas, que deslocaram 12 mil policiais e 4 mil agentes de Corpo de Bombeiros e de Serviços de Atendimento Médico de Urgência. Avenidas foram fechadas ao trânsito desde cedo, e com o título a circulação de veículos foi ainda mais limitada. Por medida de segurança, a polícia ampliou a área de interdição de circulação de veículos por toda a região em torno da Champs-Elysées até a região do Champ-de-Mars, onde se situa a Torre Eiffel.

Os incidentes aconteceram à meia noite, no horário local (19 horas em Brasília), mas foram pouco numerosos, segundo a Chefia de Polícia de Paris. Os mais importantes haviam sido um confronto entre a polícia e torcedores que depredaram lojas da Champs-Elysées.

A preocupação do Ministério do Interior é que a comemoração, que invadirá a segunda-feira, com a chegada dos campeões e o desfile em carro aberto, pudesse ser aproveitada por grupos extremistas para a realização de atentados – como aconteceu na festa de 14 de julho de 2016, em Nice, no sul do país.

Mais cedo, antes do jogo, um grupo de hooligans também foi objeto de repressão da polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os que forçavam a entrada da "Fan zone" do Champ-de-Mars, onde se situa a Torre Eiffel, outro local de forte concentração de torcedores durante e depois da final da Copa.

FESTA

Nas ruas, a emoção do bicampeonato foi para Aurélien Peyrel, 35 anos, ainda mais intensa do que a do título de 1998. Com a camisa de Zidane às costas, Peyrel disse que agora os franceses têm consciência de que vencer é possível, o que os faz acompanhar a Copa com mais entusiasmo. “Eu tinha 15 anos quando do primeiro título, nem tinha muita noção, não sabia o que significava ser campeão do mundo”, conta. “Quando você já viveu uma vez, sabe que é possível ser campeão de novo. Então vivi mais intensamente a Copa neste ano. Mesmo não achando que era favorito, tinha esperança que a França vencesse.”

 

A seleção “multicultural” da França, repleta de descendentes de imigrantes, também provocou reações de simpatia. Arremou Gnonhossou, 25 anos, alemão descendente de africanos, se disse feliz pela vitória da França, um país rival da Alemanha no futebol europeu. "Estou contente porque faz anos que vivi esse evento na Alemanha. Agora sinto prazer que aconteça na França, onde tenho quase toda a minha família. Essa alegria que acontece na minha presença hoje me dá um prazer enorme", diz o jovem.

Nascido no Senegal e imigrante recém-chegado a Paris, Albert Carrera, 28 anos, vendeu bandeiras tricolores em azul, branco e vermelho nas proximidades da Torre Eiffel. Para ele, a seleção de Didier Deschamps é também um pouco a sua. “Eu acompanhei o jogo e torci pela seleção. Sou senegalês, sou imigrante e vim morar na França”, explicou. “Fico contente de ver que há vários descendentes de africanos no time. Para mim é um orgulho.”

Quem não mostrou simpatia pelos campeões foram os curitibanos Bruno Mehl, 26 anos, e Roxane Langaro, de 24. Vestidos com camisetas da seleção brasileira, foram para as ruas apenas para conferir a festa, sem entusiasmo particular. “Nós viemos visitar Paris e saímos com a camisa do Brasil porque somos muito patriotas. Nossa seleção é a brasileira”, argumentou Bruno. “Viemos ver a festa. Não tenho simpatia nenhuma pela seleção da França.”

 

 

 

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