Fred tenta reencontrar a alegria no retorno ao Fluminense após a Copa

Após péssimo desempenho no mundial, atacante busca retomar a carreira e vai contar com a ajuda dos companheiros de equipe

Silvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2014 | 05h00

Entre os jogadores do Fluminense, há um acordo que vai ser colocado em prática tão logo Fred volte a atuar pelo time - pode ser neste domingo, contra o Goiás, no Maracanã. Por iniciativa própria, os colegas do atacante se reuniram e decidiram que todos no clube têm um papel a desempenhar para devolver a Fred a alegria de jogar futebol.

O atacante dá sinais de recuperação, mas desabafa com amigos seu desapontamento com suas atuações pela seleção brasileira durante o Mundial e às críticas que recebeu ao longo das últimas semanas, muitas em forma de deboche, com caricaturas e piadas espalhadas pelas redes sociais.

Soma-se a isso o fracasso da equipe na semifinal, quando perdeu por 7 a 1 para a Alemanha, na derrota mais elástica sofrida pelo Brasil em 100 anos de compromissos da seleção. Naquele jogo, no Mineirão, Fred deixou o campo aos 23 minutos do segundo tempo, substituído por Willian, e foi hostilizado.

Tão logo o Brasil saiu da Copa - na disputa pelo terceiro lugar, em 12 de julho, perdeu para a Holanda por 3 a 0, jogo do qual não participou -, Fred negociou com o Fluminense 11 dias de folga. Queria se desligar de tudo, ficou com parentes e amigos mais próximos, evitou se expor publicamente.

Enquanto isso, ele conversava com o técnico Cristóvão Borges e o preparador físico do Fluminense, Rodrigo Poletto, para traçar a programação de treinos no clube.

Em 24 de julho, Fred se reapresentou nas Laranjeiras. No trajeto de sua casa, do Leblon, até o estádio do Fluminense, ele viu torcedores exibindo faixas e cartazes em seu apoio. Na sede do clube, havia 100 crianças para recebê-lo. Além disso, recebeu o afago de Cristóvão, de toda a comissão técnica e dos jogadores do time.

A previsão então era que voltaria à equipe neste domingo, para enfrentar o Goiás. Trabalhou para isso, com fisioterapia, corridas em volta do campo e participando de atividades táticas e de coletivos. “Ele foi avaliado com vários testes e concluímos que não perdeu muito no nível de força, mas entra em fadiga rapidamente. Nosso enfoque é nesse ponto para que ele possa suportar 90 minutos’’, declarou Poletto.

Logo após a derrota para a Holanda, Fred falou com o Estado e disse que não fazia mais planos para voltar à seleção. “Para mim, já deu’’, declarou. Na oportunidade, ele afirmou que a culpa pelo vexame do Brasil no Mundial tinha de ser dividido por todo o grupo.

“Nós, brasileiros, principalmente as pessoas que influenciam na opinião pública, temos a mania feia de procurar um ou dois para crucificar.’’

Esta semana, porém, o novo treinador da seleção, Dunga, não descartou a hipótese de vir a convocar Fred.

Na Copa, em seis partidas com a camisa 9, Fred marcou apenas uma vez - na goleada por 4 a 1 sobre Camarões, ainda na primeira fase. Nos treinos, também esteve mal e chegou a se irritar duas vezes por ter sido escalado entre os reservas por Luiz Felipe Scolari.

Numa delas, esbravejou e teve de ser contido pelo colega Jô. Depois, ouviu ponderações do então coordenador Carlos Alberto Parreira, com quem conversou num dos bancos à beira do gramado na Granja Comary, em Teresópolis. Fred ficou fora da decisão pelo terceiro lugar.

O jogador não atua pelo Fluminense desde 18 de maio, quando o time perdeu para o Grêmio por 1 a 0, em Porto Alegre, pela quinta rodada do Brasileiro. Naquele confronto, ele foi expulso. Ainda assim, Fred é o artilheiro do Tricolor neste ano, com dez gols em 17 jogos.

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