Frio espanta torcedores do Beira-Rio

A invasão atleticana, prometida pelos torcedores e desejada pelos jogadores não aconteceu, embora o público no Estádio Beira-Rio possa ser considerado razoável para um jogo sem equipes gaúchas. E empolgação não faltou aos cerca de 20 mil paranaenses que foram nesta quarta-feira a Porto Alegre. Eles encararam em média 12 horas de estrada desde Curitiba e só fizeram uma reclamação: pelo fato de a partida não ter sido realizada na Arena da Baixada. ?Fizeram a gente ficar 12 horas na estrada, mas não há de ser nada. Vamos ganhar esse jogo, vai ser 3 a 1 para o Atlético?, disse o estudante Rafael Cavia ao chegar, às 18h50.O acesso dos torcedores do Rubro-Negro, que segundo eles vieram em cerca de 150 ônibus à capital gaúcha (a Brigada Militar informa ter contado apenas 62), foi tranqüilo. Mas na chegada de um grupo de são-paulinos, em 20 ônibus, por volta das 21 horas, o clima esquentou.Como só 2 mil ingressos foram destinados aos paulistas, eles tiveram de comprar bilhetes destinados aos atleticanos. Na hora de entrar no estádio, confusão. Havia apenas um acesso dos tricolores à arquibancada inferior, pelo portão 3, e um único bilheteiro. Tumulto e a polícia chegou a jogar uma bomba de gás lacrimogêneo contra os torcedores.Além disso, o setor estava reservado para os atleticanos, mas encontrava-se vazio. Ao perceberem a ?invasão?, alguns paranaenses foram até o local e uma briga começou. Não havia policiais no local e a pancadaria durou alguns minutos, até chegarem os brigadistas. Os torcedores do São Paulo ficaram no setor.Como muitos torcedores chegaram ao estádio depois das 21 horas, formou-se enormes filas nas bilheterias e centenas de pessoas só conseguiram entrar com o jogo iniciado.Boa viagem - Mas o trajeto dos atleticanos de Curitiba a Porto Alegre foi feito sem problemas. "A viagem começou às 6h30 e foi tranqüila, sem incidentes?, relatou a estudante Tamile Rodrigues, que veio em um dos ônibus. Temor, só um: o frio. ?Vamos embora logo depois da partida. Vai ser duro?, previa Tamile. A meteorologia previa temperatura de zero grau durante a madrugada.Algumas dezenas de atleticanos chegaram a Porto Alegre durante o dia. Foi o caso de 15 torcedores que vieram em uma Van. ?Saímos às 8 horas da noite (de terça-feira) e chegamos às 10h30?, disse a estudante Lais Furioti. "Mas vale tudo pelo Atlético. Tem gente aqui que eu nem sei o nome, nos conhecemos na hora da viagem.? Neste momento, por volta das 13 horas, a televisão mostrou funcionários do Internacional dando os últimos retoques dos bancos de reservas. ?Olha lá, estão fazendo obras. Vamos para a Arena?, gritou Lais. "A gente não devia estar aqui. Fomos prejudicados. Mas domingo, contra o Coritiba (pelo Brasileiro), vamos mostrar que a (arquibancada) tubular é segura?, emendou Bruno Rolim, estudante de Turismo.União - O Atlético tentou de todas as maneiras contar com a torcida dos gaúchos, sob o argumento de que era o Sul do País contra o futebol paulista. A Rádio Gaúcha chegou a colocar no ar chamada em que lembrava que o passado Grêmio e Internacional foram vítimas do poder político dos paulistas e que agora é o Atlético que sofre, por isso, merecia o apoio de ?todo o Rio Grande.? No Beira-Rio, foi colocado uma faixa com a frase: ?O Sul é meu país?. Mas o frio afugentou os gaúchos. Os que foram ao estádio, em sua maioria, apoiaram os paranaenses. Como o comerciante Vitor Hugo, torcedor do Inter. ?Não gosto de Tricolor, nenhum deles?, justificou.

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