"Fuga" de Mauro Silva divide opiniões

A atitude de Mauro Silva, de abandonar a seleção brasileira momentos antes do embarque para a Colômbia, dividiu a opinião de nomes consagrados do futebol do País. Foi vangloriado como exemplo a ser seguido por uns e duramente criticado por outros. Para Nílton Santos, a atitude deveria ser copiada por todo o elenco. "O Mauro Silva fez o certo, pena que está sozinho, o grupo deveria acompanhá-lo," afirmou. E não poupou críticas. "Esta competição poderia ser realizada em muitos outros lugares, por que lá? Ninguém está pensando nas pessoas," protestou. E nem os dirigentes foram poupados. "A culpa é dos nossos dirigentes, que colocam o rabo entre as pernas e autorizam, mas ficam em casa." Jair Rosa Pinto endossa as palavras. "O Mauro está certo. Se acontecer algo, quem é que vai se responsabilizar? Os outros deveriam acompanhá-lo." Clodoaldo afirma que a atitude de Mauro Silva é compreensível, e resultado de uma situação de insegurança geral. "Acho que para o Brasil teria sido melhor que essa Copa não fosse disputada e o Scolari pudesse negociar com os clubes um tempo maior de preparação para o jogo das eliminatórias contra o Paraguai. Já o capitão do tri-campeonato, em 1970, Carlos Alberto Torres e o ex-atacante vascaíno Roberto Dinamite, ficaram revoltados com a atitude do jogador. "Ele não deveria fazer isso, tinha de ter comunicado à comissão técnica sua intenção bem antes, não no aeroporto. Nunca vi isso, que os outros não sigam o exemplo," bronqueou Torres. "Por ser mais experiente, tinha de estar com o grupo, me causou surpresa. Se estivesse no início de carreira, não sei se tomaria a mesma atitude," disse Dinamite. E completou: "O jogador de seleção tem que ir onde a seleção for, estar preparado para vestir a camisa em qualquer circunstância." Ademir da Guia, ex-meia do Palmeiras, isentou o jogador de culpa. "Ele estava intranqüilo e sem confiança, o melhor é ficar mesmo e dar oportunidade para outro jogador," disse. Opinião semelhante à de Júnior. "É uma decisão pessoal e tem de ser respeitada. Se não se sentiu seguro, não tinha de viajar mesmo."

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