Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Fuga de patrocinadores de grandes clubes afeta futebol brasileiro

Fim da parceria entre Fluminense e Unimed é mais um exemplo do mau momento financeiro que atravessa o esporte no País

Marcio Dolzan e Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2014 | 07h00

O anúncio do fim da parceria de 15 anos entre Unimed e Fluminense é mais uma demonstração clara de que as empresas brasileiras estão revendo os seus investimentos no futebol. Surgida em 1999, a parceria, que levou jogadores como Romário, Edmundo, Conca e Fred para o clube das Laranjeiras, terminou por causa de uma "revisão da estratégia de marketing da empresa", como anunciou a cooperativa médica.

O fim do acordo entre Fluminense e Unimed ocorre na esteira de decisões semelhantes do banco BMG, que não vai renovar o patrocínio com Cruzeiro e Atlético-MG, e da Caixa, que vai rever o investimento em oito equipes da Série A. "A saída da Unimed é mais um sinal da crise que atinge o mercado de patrocínio esportivo no Brasil", afirmou Fernando Ferreira, sócio-diretor da Pluri Consultoria, empresa de marketing que trata do assunto.

Foi a própria Unimed que informou o fim do acordo, em nota divulgada na manhã desta quarta. À tarde, o presidente da empresa, Celso Barros, declarou à Rádio Tupi que "as perspectivas econômicas para 2015 não são muito boas" e admitiu que a relação de 15 anos com o clube havia sofrido "desgaste natural". O contrato entre Fluminense e Unimed tinha validade até o fim do próximo ano, mas previa a possibilidade de rompimento unilateral a cada encerramento de temporada. Essa possibilidade ganhou força nas últimas semanas, principalmente após jogadores como Fred, Rafael Sóbis e Wagner terem reclamado publicamente dos problemas financeiros enfrentados pelo Fluminense ao longo do ano.

A Unimed paga a maior parte dos vencimentos dos principais atletas do Fluminense. Jogadores como Fred e Conca chegam a ter até 80% de seus direitos de imagem bancados pela empresa. Rafael Sóbis, Diego Cavalieri, Henrique, Gum, Wagner, Jean e Walter também recebem a maior fatia dos direitos de imagem da cooperativa médica. Cícero passaria a receber da Unimed no próximo ano.

Todos esses casos serão analisados, sendo provável que os jogadores do Flu cujos contratos estão vencendo – como Gum e Cavalieri – não tenham o vínculo renovado. "(Os contratos) Serão analisados de acordo com as peculiaridades de cada um, uma vez que eles são específicos para cada atleta", informou Luiz Eduardo Barreto Perez, superintendente de marketing da Unimed-Rio. "Inexiste qualquer decisão sobre rescisão unilateral de contratos."

Na avaliação de Fernando Ferreira, o fim do acordo vai afetar duramente o Fluminense na próxima temporada. "Impacta fortemente, uma vez que os gastos do clube com o futebol, excluindo a Unimed, não estão à altura dos principais clubes do País." O presidente do Fluminense, Peter Siemsen, não se pronunciou nesta quarta, mas convocou uma entrevista coletiva para a manhã de quinta. É possível que o cartola já anuncie um novo patrocinador, mas em um formato de parceria diferente daquele que o clube tinha com a Unimed.

A cooperativa médica possuía exclusividade na exibição da marca na camisa e os valores envolvidos nunca foram revelados, mas, nos bastidores do clube, falava-se em cifras superiores a R$ 20 milhões anuais. Agora, o Fluminense pretende manter o patamar "loteando" espaços na camisa. A expectativa do Tricolor carioca é faturar R$ 14 milhões exibindo uma marca na parte frontal da camisa e o restante com anunciantes nas mangas, nas barras, nos ombros e nos números da camisa, além do calção.

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