Luis Benavides/AP
Luis Benavides/AP

Fundação e doação de multa podem ajudar vítimas da Chapecoense

Associação espera que a Conmebol doe o valor que o Nacional-URU pagou por brincadeiras infelizes de sua torcida contra a Chape

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2018 | 07h00

A Chapecoense e a Associação da Vítimas do Acidente vão inaugurar daqui cerca de um mês uma fundação para auxiliar as famílias a se manterem enquanto aguardam pelas indenizações referentes a tragédia que causou a morte de 71 pessoas. Além disso, a Associação também pediu para a Conmebol repassar uma multa dada ao Nacional-URU no valor de US$ 80 mil (cerca de R$ 262 mil) por seus torcedores terem imitado um avião durante o jogo contra a Chapecoense.

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“A fundação já tem uma sede e servirá para manter as famílias durante uns cinco anos, que é o período que deve demorar para sair as indenizações”, explicou Mara Paiva, viúva do ex-jogador e comentarista Mário Sérgio e uma das fundadoras da Associação. 

Segundo o advogado Marcel Camilo, do escritório Camilo e Martinez, de São Paulo, e que representa Bruno Rangel, Ananias, Lucas Gomes, Gimenez e Ailton Canela, recentemente houve um reunião entre a Chape e as vítimas para tentar um acordo em relação aos direitos trabalhistas, mas não teve êxito. “As nossas expectativas estão bem longe da realidade deles”, disse. O processo segue na Justiça. 

Na sexta-feira, a Aeronática Civil da Colômbia divulgou um relatório sobre o desastre ocorrido no dia 28 de novembro e constatou que houve uma pane seca no avião da LaMia que transportava a delegação da Chapecoense e que o problema foi constatado 40 minutos antes da queda por falta de combustível nos arredores de Medellín. 

“Eu tinha certeza de que era pane seca. É um fato irremediável que perdi meu marido em um assassinato. Que bom que apareceu a verdade”, comentou Luciana Chermont, viúva do jornalista Victorino Chermont. 

De acordo com as investigações, os pilotos tinham ciência da pane iniciada 40 minutos antes da queda. Houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros na cabine dos pilotos. O controle de tráfego aéreo desconhecia a situação de risco do avião e sua possibilidade de queda.

“O avião caiu por falta de combustível”, informaram os representantes da aeronáutica civil da Colômbia sem meias-palavras. “Os quatro motores da aeronave pararam de funcionar, o que provocou a queda. Pararam de funcionar por falta de combustível.”

O contrato do voo previa escala entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, mas a empresa aérea planejou viagem direta. O relatório também informa que a LaMia estava em situação financeira precária, atrasava salários e tinha má organização de voo. A empresa não cumpria determinações das autoridades da aviação civil em relação ao abastecimento de combustível.

“Toda tragédia é algo infeliz, mas, no nosso caso, temos um agravante, que é o fato de que nem tem companhia aérea para cobrar nada”, lamentou Mara Paiva, viúva do ex-jogador e comentarista Mário Sérgio.

Junto com Fabiane Belle, viúva do fisiologista Cesinha, Mara criou uma associação das famílias das vítimas do voo. Ela lembra que a LaMia já tinha demonstrado sua incapacidade como companhia aérea. “Todo mundo sabia que ela (LaMia) estava fazendo esse tipo de loucura. Na viagem que a Chape fez antes (contra o Junior Barranquilla) todo mundo falou do risco que o time sofreu”, disse. 

A diretoria da Chapecoense informou que não vai se manifestar até terminar de analisar o relatório. A equipe disputaria em Medellín a final da Sul-Americana contra o Atlético Nacional. O avião, que levava 77 pessoas, bateu na parte mais alta de um morro, perdeu sua parte traseira e foi se desintegrando.

 

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