Viva Rio
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Furacão traz apreensão para time haitiano no Brasil

Atletas do Pérolas Negras, que atuam no futebol carioca, não tiveram parentes mortos na tragédia

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2016 | 07h00

A passagem do furacão Matthew pelo Haiti, deixando cerca de mil mortos e 60 mil desabrigados, também abalou os jogadores da Academia Pérolas Negras, time de futebol criado pelo Viva Rio com jogadores do país caribenho e que disputa a terceira divisão do futebol carioca. Ao longo de duas semanas, os jogadores mostraram apreensão e buscaram incessantemente informações sobre a tragédia. Os contatos mostraram que os atletas não perderam parentes próximos.

“Agora, eles estão mais calmos, mas ficaram muito apreensivos em busca de informações. Procuravam sempre nas redes sociais. Eles não perderam parentes e, por isso, estão mais tranquilos”, afirmou Rafael Novaes, coordenador técnico da equipe.

O diretor executivo do Viva Rio, Rubem César Fernandes, estava no Haiti na passagem do furacão. O relato do dirigente também foi importante para confortar os jogadores. A matriz do Pérolas Negras, criada em 2004 no Haiti também não sofreu com o furacão. “Eles estão dispostos a mostrar que o Haiti pode superar suas catástrofes também pelo futebol”, diz o treinador.

Atualmente, a equipe é formada por 18 jogadores entre 16 e 19 anos. Até o final de outubro chegarão mais 25 com idade até 17 para formar a equipe do sub-17. Os haitianos treinam em um CT localizado em Paty Alferes, distante 40 minutos de Petrópolis na região serrana do Rio.

A equipe conseguiu se filiar à Federação de Futebol do Rio (Ferj) e vai disputar a Série C do Campeonato Carioca no ano que vem. Nesta temporada, eles participaram da Série B do Carioca Sub-20 por meio de uma parceria com o Audax-RJ e, no início do ano, disputaram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, caindo na primeira fase. Apesar das três derrotas na Copinha, o time foi um dos mais festejados pelo público em São Paulo.

No mês de setembro, um termo de compromisso assinado entre a Viva Rio e a Federação Carioca garantiu igualdade de condições entre atletas refugiados e brasileiros. Antes, eles só poderiam se enquadrar nas cinco vagas destinadas a jogadores estrangeiros nos times nacionais.

 

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