Futebol ainda tem espaço para "bibelôs"

A polêmica provocada por Vampeta chamou a atenção para um pequeno grupo de jogadores presente nos principais clubes: os bibelôs. Trata-se daqueles atletas excessivamente bajulados, os quais nenhum dirigente se atreve a contrariar. São tratados pelos cartolas como acima do bem e do mal e, invariavelmente, recebem um tapinha nas costas depois de cometer erros. Uma frase de Vampeta resumiu bem o resultado desse comportamento dos dirigentes, que colhem aquilo que insistem em plantar. "Sou estrela mesmo. É só olhar o meu currículo. Ganhei muita coisa e não sou nenhum juvenil. Tenho de receber tratamento diferenciado mesmo", disse, no auge de sua cena no programa Mesa Redonda, domingo à noite. Outro exemplo é Luís Fabiano. Nome freqüente nas sessões do STJD, o atacante do São Paulo já se assumiu como problemático tanto que aceitou acompanhamento psicológico. Apesar disso, a cartolagem são-paulina insiste em absolvê-lo a cada confusão na qual se mete, como aconteceu na cabeçada que deu em Marquinhos no clássico contra o Corinthians (que motivou sua expulsão e a suspensão por quatro jogos no julgamento de hoje). Mesmo com a TV mostrando o lance, os cartolas insistiam em criticar aqueles que questionavam o seu comportamento. Romário, no Fluminense, e Edmundo, no Vasco, são outros intocáveis. Mas qual a justificativa para tal proteção? "Além do argumento de que punir o jogador seria o mesmo que punir o clube, pois o patrimônio seria desvalorizado, existe algo a mais", disse um cartola que não quis se identificar. "Os dirigente têm medo de entrar em atrito com algum desses jogadores. O temor é de que eles usem o moral que têm com o restante do grupo para tumultuar o ambiente e jogar o elenco contra a diretoria ou comissão técnica."

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