Christof Stache / AFP
Christof Stache / AFP

Futebol alemão aguarda aval das autoridades para voltar a ser disputado

Ideia dos dirigentes é que os jogos sejam disputados com portões fechados

Redação, AFP

24 de abril de 2020 | 07h32

A Liga Alemã de Futebol (DFL) está "disposta" a retomar suas atividades em 9 de maio, com os jogos sendo disputados com portões fechados, se receber o aval das autoridades, afirmou nesta quinta-feira (23) o presidente da entidade, Christian Seifert. Após uma reunião por videoconferências com os representantes dos 36 clubes da primeira e segunda divisões da Alemanha, Seifert afirmou que a competição estava em condições de ser retomada, depois de ser suspensa em meados de março devido à pandemia do coronavírus

"Tudo depende agora do que for decidido pelos líderes políticos. A Bundesliga está pronta, independentemente de se for em 9 de maio ou em uma data posterior", afirmou Seifert em coletiva de imprensa por vídeo. O diretor esportivo do Werder Bremen, Frank Baumann, se mostrou "cético" em relação a voltar a jogar a partir de 9 de maio. "Eu sou cético em relação a ver jogos da Bundesliga em 9 de maio. Precisamos ver o que o governo vai decidir em 30 de abril", afirmou.

Pioneira entre as grandes ligas

A Bundesliga é a primeira das grandes ligas europeias, todas suspensas desde meados de março, a apresentar um calendário para o reinício da competição, seguindo a diretriz da Uefa de concluir os campeonatos nacionais e continentais até agosto.

O esperado anúncio do futebol alemão poderia abrir o caminho para que que outros países façam o mesmo, limitados pelos imperativos sanitários e pela necessidade de concluir a temporada para receber o dinheiro dos direitos de transmissão, indispensável para sua sobrevivência econômica.

A DFL afirmou nesta quinta-feira ter recebido as garantias do pagamento dos direitos de televisão, com um valor estimado em 300 milhões de euros, o que garantiria a liquidez dos clubes profissionais até 30 de junho. A confirmação da disputa das últimas nove rodadas do Campeonato Alemão dependerá agora do aval das autoridades políticas alemãs.

Duas das principais autoridades dos 'Länder' (estados federados) alemães, os conservadores Armin Laschet e Markus Söder, já haviam cogitado na segunda-feira (20) a possibilidade do futebol voltar no país em 9 de maio, mas sem torcidas nos estádios.

A Alemanha sofre em menor escala o impacto da pandemia em relação a vizinhos europeus como Itália, França ou Espanha, mas aglomerações públicas estão proibidas no país até 31 de agosto. O ministro da Saúde, Jens Spahn, afirmou que, com portões fechados e respeitando as precauções adequadas, jogos de futebol seriam "possíveis".

"Tomaremos as melhores precauções. Quando há 200 pessoas no estádio, onde normalmente são 70.000, é fácil manter a distância. Jogos sem torcida não é o que queremos, mas parece ser a única forma", completou Seifert.

Grandes clubes favoráveis

O possível reinício da Bundesliga é bem visto pelos grandes clubes do futebol alemão, como Bayern de Munique, Borussia Dortmund e RB Leipzig. Os jogadores voltaram a treinar juntos nos últimos dias, mas em grupos reduzidos.

Por outro lado, vários grupos de torcedores se mostraram contrários à retomada do futebol neste cenário, preferindo uma suspensão definitiva do campeonato a ter jogos de futebol sem público nos estádios.

Para reiniciar a temporada nas próximas semanas, os clubes e a Liga Alemã tiveram que adotar medidas sanitárias para evitar qualquer contágio entre jogadores ou com as dezenas de pessoas presentes no estádio durante a disputa de uma partida com portões fechados.

A Federação (DFL) promete que os jogadores e técnicos serão submetidos a testes de detecção da COVID-19 a cada três dias. Assim, estima-se a necessidade de 20.000 testes para garantir que os jogos sejam disputados sem riscos. Embora a Alemanha disponha de mais testes do que os vizinhos europeus, seu uso está longe de ser unanimidade, em particular no setor de saúde.

"Acho que os testes deveriam ser usados onde há um sentido médico", declarou Lars Schaade, vice-presidente do Instituto Robert Koch, encarregado da vigilância epidemiológica no país.

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