Futebol argentino sofre com seqüestros

Situações como a que Robinho viveu são comuns no futebol argentino. Afinal, a cada um mês e meio um jogador, ou parente seu, é vítima de seqüestro na Argentina, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Nueva Mayoría.Essa estatística já provocou mudanças no comportamento de alguns jogadores argentinos. É o caso de Darío Alaniz, do Belgrano de Córdoba, que adotou uma medida radical para não ostentar seu dinheiro: vendeu o carro e passou a andar de ônibus.A onda de seqüestros assola a Argentina desde 2002, quando o país mergulhou na pior crise financeira, social e econômica da sua história. Com o aumento da pobreza da população, a criminalidade entrou em uma escalada sem precedentes. A indústria do seqüestro foi vista como uma saída lucrativa e com grandes chances de sucesso, diante da baixa segurança dos famosos argentinos.O caso mais famoso nos últimos tempos foi o seqüestro de Christian Riquelme, irmão do meia Juan Román Riquelme, ex-jogador do Barcelona e do Boca Juniors, atualmente no espanhol Villarreal, pelo qual pediram US$ 300 mil. Outro caso, famoso pela longa duração, foi o de Luis Traverso, pai do jogador Cristian Traverso, atualmente no Puebla, do México. Neste caso, os seqüestradores exigiam US$ 500 mil. Leonardo Astrada, pai de Rubén Astrada, também foi vítima, mas acabou liberado após longas negociações.Além deles, foi seqüestrado o pai dos irmãos Gabriel e Diego Milito, respectivamente jogando no Real Madrid e no Racing Club. Neste caso, eles pagaram US$ 33 mil pela liberação. Carolina, irmã dos gêmeos Guillermo e Gustavo Barros Schelotto (Boca Juniors e Rosario Central, respectivamente) foi alvo de uma tentativa de seqüestro que fracassou.Também foram notórios os seqüestros de parentes de empresários vinculados ao futebol, como o caso de Florencia Macri, irmã do presidente do Boca Juniors, o milionário Maurício Macri.Em meados deste ano, o volante Matías Almeyda (ex-Inter de Milão), da seleção argentina, anunciou que havia mudado de idéia sobre voltar a se viver na Argentina. Assustado com ameaças de seqüestros a seus parentes, ele cancelou seu contrato com o time do Independiente e preferiu ficar no futebol europeu.Mas alguns parentes de jogadores já consideram que a onda de seqüestros começa a ser algo "normal". Esse é o caso de Carlos Ladino, pai do jogador Santiago Ladino, do time Vélez Sarsfield, ao comentar o seqüestro de seu filho, que durou pouco mais de duas horas. "Foi algo mínimo...algo costumeiro atualmente na Argentina", explicou.

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