Futebol busca integração na Vila Olímpica

Já acostumada com as concentrações, muito conforto e pouca liberdade, a Seleção Brasileira de Futebol Sub-20 vai se sentir ´mais solta´ na Vila Pan-Americana em São Domingos. Os jogadores estão empolgados com a idéia de poder conhecer atletas de outras modalidades - principalmente da Seleção Masculina de Vôlei. Eles garantem que não vão se importar com o menor conforto da vila em relação aos hotéis com os quais estão acostumados. "Vamos nos ajustando de acordo com as circunstâncias. Quando podemos ficar em um hotel nós ficamos. Mas nesse caso, todos os atletas estarão na Vila. Espero que haja uma grande integração, que seria ótima se acontecesse entre todos os esportes", diz o técnico da Seleção, Valinhos. O treinador conta que gostaria de conhecer o grupo comandado por Bernardo Rezende: "A Seleção de Vôlei tem conquistado muitos títulos importantes, seria interessante podermos ver o trabalho deles. Outra que me agrada é o time masculino de basquete, que há poucos dias ganhou o título sul-americano." O atacante Dagoberto, que chega cotado como um dos destaques do time, concorda com Valinhos. "A Seleção de Vôlei do Bernardinho realmente eu gostaria de ver, ainda mais depois daquela final da Liga Mundial (em que o Brasil ganhou da Sérvia e Montenegro por 3 a 2, com tiebreak de 31 a 29). Eu vibrava a cada ponto que eles faziam, assim como todo o Brasil. Se sobrar um tempo, gostaria de vê-los jogar", diz o atleta de 20 anos, que passou a ser mais notado após o belo gol que fez pelo Atlético Paranaense na vitória sobre o Bahia por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro. "O mais importante é saber aproveitar essa integração, entrar no clima para todos aproveitarem e darem apoio uns para os outros." Sobre conforto, o atacante diz que não se importa. "O que quero é jogar futebol. Todo mundo fala que o futebol tem conforto, privilégio, mas tem muita gente que já esteve do outro lado, que é meu caso. Lá na cidade em que nasci, Dois Vizinhos, no Sudoeste do Paraná, eu trabalhava com meu pai na lavoura. Ajudava a plantar e colher feijão e milho. Convocado pela primeira vez para integrar uma equipe nacional, o zagueiro Adailton arregalou os olhos quando soube que teria de dividir o quarto com outros três atletas, e não um, como é costume no futebol. "Vamos ficar em quatro pessoas no quarto? Então, a palavra-chave para os darmos bem aqui é adaptação. Vamos tentar nos adaptar o mais rápido possível. Vai ser difícil um quarto com quatro pessoas, mas vai ter que haver respeito e cooperação para todo mundo se dar bem", assinala. O espírito de equipe já tomou conta do time de futebol brasileiro. "O objetivo não é só participar do Pan para nos prepararmos para o Mundial Sub-20, que vai ser disputado nos Emirados Árabes, em novembro, como estão falando. A gente quer ganhar para poder ajudar o Brasil no quadro de medalhas. Todo mundo sabe da importância do Pan", declarou Valinhos. De quebra, os meninos admitem que querem ser vistos por olheiros do mundo todo. "Meu contrato com o Atlético Paranaense vai até 2006 ou 2007, não tenho certeza. Mas sei que vai ter olheiros de todos os cantos e o sonho de todo jogador é ir para a Europa. Mas acho que o mais legal de tudo isso é o orgulho com que meus pais falam de mim para os outros", comemora Dagoberto. "Ser visto por olheiros seria interessante, mas é um objetivo secundário. O que quero mesmo é mostrar meu trabalho para o Valinhos e poder ficar no time", emenda Adailton.

Agencia Estado,

30 de julho de 2003 | 19h32

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