Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Futebol da Arábia atrai, mas não segura treinadores

Dos 16 técnicos que começaram a temporada, metade já saiu na virada do primeiro para o segundo turno

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2018 | 04h30

Atrás dos “dois caminhões de dinheiro” que seduzem os técnicos brasileiros que são convidados a trabalhar na Arábia Saudita está uma realidade do futebol quase amadora. Tradutores que conhecem pouco do riscado, gestores intransigentes e falta de profissionalização são alguns dos problemas mais comuns enfrentados por quem decidiu trocar o Brasil por esse país, ou região. 

Dos 16 técnicos que começaram o ano, oito já fizeram as malas e deixaram a Arábia na virada do primeiro para o segundo turno. A maioria sai insatisfeita com as condições de trabalho. A questão não envolve só brasileiros, como Fábio Carille, que ficou sete meses por lá e voltou para o Corinthians. Entre os oito profissionais que desistiram, três são europeus e outros cinco são da América do Sul.

Os treinadores comentam a situação apenas sob a condição de anonimato. “Um dos grandes problemas é o idioma. A tradução é feita por pessoas que não estão acostumadas com o futebol. Com isso, não conseguimos passar a informação que desejamos”, diz um técnico que trabalhou lá neste ano. “Com exceções, os clubes precisam ser mais profissionais, com pessoas qualificadas para fazer as tarefas. Eles não têm isso. Os times são quase amadores”, conta outro profissional. 

Técnicos de várias partes do mundo são convidados a trabalhar no país para desenvolver o futebol local. As ofertas são irrecusáveis. No caso de Carille, a expressão “dois caminhões de dinheiro” queria traduzir um salário mensal da ordem de R$ 1,25 milhão, quatro vezes o que ganhava no Corinthians. O valor do contrato para a comissão de quatro profissionais era de R$ 40 milhões para dois anos. Os clubes sauditas são financiados pela Autoridade Geral de Esportes, a principal entidade esportiva do governo saudita.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.