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Futebol e ética não combinam mais, afirma juiz do episódio Catar

Responsável pelo caso da escolha do país árabe para a Copa, Hans-Joachim Eckert insinua que descobertas não são positivas

Jamil Chade - Enviado a Genebra, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 12h52

Assolada por casos de corrupção, a Fifa recebe um sério alerta: futebol e ética não combinam mais. O recado é do juiz encarregado de julgar o caso da escolha do Catar para a Copa de 2022, o alemão Hans-Joachim Eckert. Segundo ele, depois de avaliar a documentação da investigação conduzida por meses, ele afirma "ter sérias duvidas se ética e futebol ainda combinam".

A investigação foi conduzida pelo promotor americano Michael Garcia e reuniu 200 mil páginas de documentação. Eckert estima que não terá uma posição sobre o caso antes de novembro. Mas insinua que o que está descobrindo não é nada positivo.

O processo averiguou se o Catar pagou pelos votos que o deram o direito de sediar a Copa de 2022, uma das decisões mais polêmicas da Fifa em anos. Na investigação, o brasileiro Ricardo Teixeira é amplamente citado. Ele foi um dos cartolas que, quando ainda era presidente da CBF, votou pelo Catar.

Hans-Joachim Eckert não garante que o processo será publicado. Mas, em um comunicado de imprensa emitido há duas semanas, a própria Fifa admitiu que Garcia sugeria que medidas fossem tomadas contra cartolas. O texto não deixa claro que isso significa punir os organizadores da Copa no Catar.

Uma semana depois, o CEO do Milan, Umberto Gandini, revelou ao Estado que o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, garantia que a Copa ficaria no Catar, alimentando a especulação de que a punição recairá sobre os cartolas que deram seus votos.

Mas o Catar não é o único escândalo que ronda a Fifa. A entidade examina neste momento a distribuição de relógios de luxo pela CBF para seus cartolas e foi obrigada ainda a afastar um dos controladores das contas da Fifa por suspeitas de corrupção. Eckert estará nesta sexta-feira em Zurique para um debate sobre ética no esporte. Mas há alerta: "muitos não vão gostar do que eu vou dizer a eles". 

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