Futebol: é hora da caça aos baladeiros

O que Cuca fez no São Paulo ao anunciar sua cartilha foi só tornar pública a caça aos baladeiros. Os clubes paulistas estão cada vez mais rigorosos. Acabou a festa. Jair Picerni despachou André Balada. Emerson Leão tem todas as informações sobre seus jogadores na noite santista e pune severamente os abusos. Vampeta cansou a diretoria do Corinthians com problemas e as constantes acusações de noitadas em seu bar Terra Brasil."Olha, o jogador está representando sempre o clube. Onde estiver. No curto tempo que dura sua carreira, precisa lembrar que é atleta. Nós temos nossas regras, que são rígidas. Não sei se os badaleiros vão acabar, mas aprendemos a cuidar dos jogadores", afirma o vice-presidente do Corinthians, Roque Citadini."Jogador de futebol no Brasil passou a não ter vida pessoal. O que deveria contar é dentro do campo. Mas além de jogar bem, tem de posar de santo", reclama Edmundo. "Já sou crescido e não admito que me policiem, me cobrem no estádio. Ninguém tem o direito de se meter na minha vida fora de campo", corta Romário. Mas o Rio está bem distante de São Paulo. Os dirigentes paulistas aprenderam as manhas dos jogadores e foram pouco a pouco apertando o cerco."O Leão está certo em cobrar o comportamento dos atletas. No Santos só fica quem se submete às normas do clube. Quem não se adaptar, sai mesmo", reafirmou várias vezes o presidente do Santos, Marcelo Teixeira.Como a esmagadora maioria dos técnicos foi jogador e sabe as artimanhas usadas, trata de travá-las agora que virou comandante. Fica mais fácil. Os treinos pela manhã no sábado não eram por acaso. Os treinadores tentavam conter os excessos da sexta-feira, noite oficial da farra. Só que jogador é esperto. Muitos atletas ficavam até altas horas em festas. Sabiam que os treinos de sábado sempre foram leves. Treinavam - e dormiam o sábado inteiro. ?Um por todos, todos por um?... - O contra-ataque veio com atitudes como a de Cuca, que segue o que Luiz Felipe Scolari fez no Palmeiras: tornaram os torcedores do clube espiões espalhados pela noite. "Se eu souber que alguém esteve na rua em qualquer dia depois da meia-noite, o grupo todo fica concentrado desde sexta-feira à noite para jogo no domingo. Não tem desculpa", avisou Cuca.A reação no São Paulo foi imediata. Diego Tardelli virou o alvo dos dirigentes, do técnico e dos próprios companheiros. "Se por causa do Tardelli eu perder noites com minha família, ele vai sofrer", promete o capitão Rogério Ceni. "Eu não sou problemático fora de campo. Sou dentro. Se alguém aprontar e eu for punido, vou cobrar caro desse cara", promete Luís Fabiano. "E o Tardelli precisa aproveitar essa oportunidade que o São Paulo está dando. Se não se corrigir, sua carreira vai acabar", completa Luís Fabiano, falando sobre o companheiro sem ser perguntado.Sentindo que os locais prediletos das baladas estão cada vez mais manjados, os jogadores já têm alternativas. A Continental de Jundiaí passou a ser freqüentada por jogadores de clubes grandes da Capital. Nas casas noturnas, os donos reservavam espaços VIP com entradas especiais para os atletas. Os únicos inconvenientes eram os pedidos de autógrafos e o assédio descontrolado das meninas. Só que agora não podem ser vistos em lugar algum. Como "Cinderelas", depois da meia-noite serão punidos. "Por isso já tomei uma decisão: vou falar para o Cuca se for sair com a minha mulher e quiser ficar um pouquinho mais tarde", afirma Grafite, mostrando que os jogadores sentiram que a era das farras em São Paulo acabou.

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2004 | 09h35

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