Futebol é usado para tráfico humano na Europa, diz estudo

O futebol está sendo usado como mecanismo para o "tráfico de seres humanos" na União Européia e tem como vítimas jovens pobres da América do Sul e da África, atraídos por promessas de contratos milionários, segundo um estudo feito pelo Parlamento Europeu e que será apresentado ao plenário em Bruxelas no final de março. De acordo com deputados europeus, o Brasil e os países africanos são os maiores alvos para essa prática devido à qualidade dos futebolistas e ao elevado nível de pobreza em que vivem.A denúncia é baseada em informações da organização não governamental francesa Culture Foot Solidaire, que presta assistência a jovens jogadores abandonados por supostos agentes."Esses falsos agentes se oferecem para providenciar transporte e contratos na Europa a garotos que crêem que poderão ter bons resultados no futebol europeu e ser vendidos a algum clube por uma boa soma de dinheiro", explica Jean-Claude Mbvoumin, representante da ONG e ex-jogador da República de Camarões."Os que não cumprem com as expectativas ou não conseguem um contrato são deixados de lado pelo agente, acabam perdendo o visto de residência e não querem voltar a seu país porque têm vergonha de ter fracassado."Segundo Mbvoumin, muitas equipes européias admitem receber freqüentemente "ofertas de traficantes que tentam vender, como se fossem mercadorias, garotos de 13 e 14 anos".Para burlar as regras da Fifa (Federação Internacional das Associações de Futebol), que proíbem a venda de jogares com menos de 18 anos, os agentes mentem a idade do jogador nos documentos oficiais.Não há estatísticas sobre essa prática, mas a ONG afirma que em seus seis anos de existência registrou cerca de 600 casos só na França, país que recebe a maior parte dos jogadores "importados". Nos clubes franceses, 48% dos jogadores profissionais são estrangeiros e a média de idade é de 18,6 anos. "Para jovens jogadores de continentes pobres, o futebol europeu representa a porta de entrada a um mundo novo, longe da pobreza", afirma o relatório que o deputado Ivo Belet apresentará este mês.Para combater o abuso e impedir que traficantes se façam passar por empresários do ramo, o Parlamento Europeu quer que a UE crie um sistema de legalização e fiscalização de agentes de futebol.Também pede que sejam estabelecidos critérios de proteção para jogadores estrangeiros, como a obrigação de contratos de duração mínima e de subsídios para que o profissional possa voltar a seu país de origem.De acordo com a Fifpro (Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol) 50% dos jogadores profissionais que atuam na Europa não têm contrato com o clube em que jogam.

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