Marcio Dolzan, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 07h00

Depois de um longo período a serviço da Olimpíada, finalmente o Maracanã vai ser devolvido neste domingo de maneira definitiva ao futebol. E, no reencontro do estádio com o esporte que justifica sua construção, estará em campo o time que tem boa parte de sua história profundamente ligada a ele. O Flamengo enfrenta o Corinthians, às 17 horas, naquele que a diretoria do clube espera que seja o primeiro de muitos jogos em sua “casa’’. O rubro-negros tem planos de administrar o estádio.

Mas gestão do Maracanã é coisa para o futuro. Neste domingo, o Flamengo, que volta a jogar no local após 322 dias, quer aproveitar a atmosfera de um estádio lotado para empurrar o time na busca pelo título do Campeonato Brasileiro, além de conseguir um considerável incremento de caixa com a bilheteria.

A casa estará cheia. Todos os 54.424 ingressos colocados à venda estão esgotados e a expectativa é de que o público total fique próximo a 70 mil pessoas, já que 15 mil ingressos foram reservados para quem tem direito à entrada livre.

O ingresso mais barato para a torcida em geral custava R$ 80 e o mais caro saía pelo dobro. Apesar de haver a possibilidade de meia-entrada, os valores praticados são bem acima da média cobrada pelo clube ao longo da competição – o tíquete médio do Flamengo no Brasileiro custa R$ 58. A tendência, hoje, é de recorde de renda e de público.

O clube também acabou se aproveitando, ainda que indiretamente, do imbróglio envolvendo a concessão do estádio. O Consórcio Maracanã, que quer devolver a administração da arena para o Estado do Rio, fez acordo com o Flamengo e “alugou” o estádio por R$ 100 mil. Toda a operação do jogo ficará a cargo do clube, que levará toda a renda da partida – descontados os encargos normais e alguma eventual penhora judicial.

A situação nesta reta final de Brasileiro é bem diferente daquela vivida pelo clube no início do campeonato. Com o Maracanã e o Engenhão cedidos ao Comitê Rio-2016, o Flamengo não jogou uma única partida como mandante na capital fluminense. Nos três primeiros jogos, atuou em Volta Redonda, no interior do Estado, e o saldo final foi de prejuízo de R$ 80 mil.

Depois, o Flamengo começou uma peregrinação pelo País. O clube mandou jogos no Distrito Federal, no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo e em São Paulo. Em cada um deles, o acordo era diferente: em Brasília, a operação era compartilhada com o governo, assim como a renda. Em Natal e em Cariacica, o clube atuou com quota fixa que girava próxima dos R$ 500 mil. Em São Paulo, alugou o Pacaembu por R$ 72 mil cada jogo e ficou com a renda.

Agora, o clube finalmente vai ser dono da bilheteria. E justamente em seu melhor momento no campeonato: é vice-líder do Brasileiro, a quatro pontos do Palmeiras (60 a 64).

OBRAS

Palco das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Maracanã está sob gestão do Comitê Rio-2016 até o próximo dia 30. A entidade que organizou os Jogos do Rio assumiu a arena no início de março.

Desde então, o estádio sediou apenas dois jogos entre clubes – as partidas finais do Campeonato Carioca, em maio – e três jogos do torneio olímpico de futebol, incluindo a final masculina, entre Brasil e Alemanha, que deu a inédita medalha de ouro aos brasileiros.

As cerimônias acabaram por danificar o gramado, que precisou ser todo trocado em pouco mais de 40 dias. Mesmo assim, o campo está em boas condições de jogo, asseguram os administradores do Maracanã. Na quinta-feira, operários finalizaram a pintura do gramado e colocaram as traves.

As cadeiras do estádio, muitas delas retiradas para ampliar as tribunas de imprensa ou para colocação do palco usado nas cerimônias, foram recolocadas. Assim, o Maracanã estava quase pronto para o jogo. Faltava apenas o público. Hoje à tarde, não faltará mais nada.

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Com medo de prejuízo, Fluminense vai usar Maracanã como 'teste'

Se não for rentável, Flu continuará atuando no estádio Giulite Coutinho, em Mesquita

Márcio Dolzan, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 08h00

Além do Flamengo, o Fluminense também pretende utilizar o Maracanã na reta final do Brasileiro. Os dois clubes possuem contrato de uso com a concessionária que administra o estádio, mas para jogarem até o fim do ano foi costurado um acordo diferente. Nele, os clubes alugam o estádio por um valor fixo e ficam responsáveis por toda a operação da partida. Pode parecer um bom negócio, mas isso só se torna realidade se as arquibancadas receberem um grande número de torcedores.

O Fluminense vai utilizar o jogo com o Vitória, na próxima sexta-feira, como teste. Se for rentável, deverá mandar os dois últimos jogos que terá em casa no Maracanã; se não for, seguirá atuando no estádio Giulite Coutinho, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Pelos cálculos de quem conhece a operação do Maracanã, mandar o jogo no estádio só se torna rentável aos clubes se o público for de pelo menos 25 mil pessoas.

A falta de rentabilidade é a causa de a concessionária que administra a arena querer se desfazer do negócio. Em três anos, o Consórcio Maracanã acumulou um prejuízo de R$ 173 milhões, motivado por uma mudança no escopo do contrato. Originalmente, ele previa a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, do estádio de atletismo Célio de Barros e da Escola Municipal Friedenreich, todos no entorno do Maracanã.

Nos locais, seriam construídos bares, restaurante, dois estacionamentos e um heliponto. Mas, após protestos, o governo do Rio manteve as instalações. Assim, o lucro que se previa com as áreas externas ao Maracanã não tiveram como se confirmar. Sobrou apenas a operação do estádio.

Representantes do próprio governo estadual admitiram em mais de uma oportunidade que o acordo precisava ser revisto, mas as negociações não evoluíram. Sem conseguir alterar o contrato, em junho o Consórcio Maracanã – formando pela Odebrecht e pela norte-americana AEG – encaminhou ofício à Casa Civil do Estado informando interesse em devolver a concessão. Sem obter resposta, na terça-feira passada a concessionária entrou com pedido de arbitragem para resolver esse impasse.

Por contrato, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é a encarregada em decidir o litígio. A decisão é definitiva e não pode ser questionada na Justiça. A previsão, contudo, é de que a sentença só seja dada no próximo ano.

Paralelo a isso, a FGV também está conduzindo, desde setembro, um estudo para que o governo do Rio lance uma nova licitação para a administração do Maracanã. O processo todo dificilmente irá se encerrar antes de março de 2017.

Enquanto isso, o Consórcio Maracanã segue como administrador do estádio - a gestão está com o Comitê Rio-2016 até o dia 30 -, e como tal negocia cada jogo diretamente com Flamengo e Fluminense. “Em linhas gerais, os novos contratos permitem que os clubes sejam responsáveis por itens como bilheteria, controle de acesso, segurança e limpeza. A contrapartida será o pagamento de um valor estabelecido para que a concessionária possa honrar com as suas obrigações de manutenção do estádio”, informou, em nota, o Consórcio Maracanã. 

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