Felipe Szpak/Ag. Corinthians
Felipe Szpak/Ag. Corinthians
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Futebol está abandonado pelas instituições e corre risco de começar a enterrar atletas, técnicos...

Ameaças de morte são cada vez mais frequentes, como as emboscadas; nesta semana, duas delas movimentaram dois dos maiores clubes do Brasil, o Corinthians e o Flamengo. É preciso parar com isso

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2022 | 14h24

É preciso que as instituições municipais e estaduais, até federais, entrem no jogo contra a violência no futebol. Há muito tempo o comportamento dos torcedores passou do tempo, desceu das arquibancadas e invadiu a vida de jogadores e treinadores, sempre ameaçados nos estádios, nas ruas, nos clubes, enfim, em qualquer lugar.

Nesta semana, o goleiro Cássio, do Corinthians, e sua família sofreram ameaças de morte através das redes sociais, com a imagem de uma arma colocada em cima da camisa do time. Não se sabe se é apenas uma bravata, de um maluco ensandecido com o rendimento da sua equipe, ou se realmente as provocações são reais e o goleiro deve se cercar de seguranças particulares e do clube.

O fato é que a polícia e seus pares nunca entraram de cabeça no problema, sempre atrás dos acontecimentos e, pior, dando de ombros para a importância dessas ameaças no futebol, sempre tido como lugar em que tudo é permitido e que nada é levado com a devida importância. Casos de racismo são cada vez mais frequentes, 20% deles chegam em punição, conforme reportagem recente do Estadão, feita pelo repórter Gonçalo Jr. Brigas nas imediações das arenas e ruas da cidade, de norte a sul do Brasil, já se tornaram frequentes e quase computadas como "sem importância" pelas autoridades, que não conseguem sequer organizar duas bandeiras dentro dos estádios em São Paulo em clássicos. Rio e Minas avançam nessa solução, como nas finais dos Estaduais.

O sentimento das pessoas que estão no futebol é que nada que aconteça vai acabar em punição, em gente atrás das grades e penas exemplares. Não há CPF identificado. Nem RG. Os clubes nunca sabem de nada. As federações lavam suas mãos e a CBF toca flauta: nada é com ela. Alguns menores são "oferecidos" para a polícia, mas eles são quase que na mesma hora soltos por falta de prova e comprovação. Não há, por parte das instituições, nenhum trabalho de inteligência ou investigação. O futebol está abandonado nesse sentido. Os próprios clubes não se interessam pelo assunto, e vão tocando a vida como ela é.

Os jogadores do Flamengo sofreram ameaças e agressões nesta sexta-feira na entrada do Ninho do Urubu. Seus carros foram parados e amassados. Policiais e seguranças tiveram de agir com uso de gás de pimenta. Uma bagunça. Ninguém se feriu. Tudo porque o time está em crise, perdeu o Estadual do Rio, que todos dizem não valer nada, para o rival Fluminense. O clube sabia que a torcida estava na espreita, mas nem isso fez acender o sinal de alerta. Esperaram acontecer, como sempre esperam, colocando mais uma vez a vida do jogador em risco. Digo vida porque o nível está para morte. Não faz muito tempo e jogadores foram feridos em emboscadas na chegada de seus ônibus nos estádios. Saiu do controle mínimo.

Alguém competente e que queira resolver o assunto precisa agir. Colocar a mão no vespeiro. Polícia, Promotoria Pública, Segurança municipal e estadual, e até federal... deve haver alguma instituição capaz de ajudar e de esfriar os ânimos no futebol. Vai dar morte um dia. Tomara esteja errado, mas o clima está muito mais quente do que o suportável entre treinadores, dirigentes e atletas de um lado e torcedores do outro. Isso precisa parar. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.