Futebol europeu repensa contratações

A eliminação prematura na Copa do Mundo de algumas das equipes mais representativas do futebol europeu, França, Itália e Espanha, está levando seus dirigentes a repensar sua organização e estrutura. A França pretende construir uma nova equipe que deverá ser testada já na Eurocopa 2004. O nome de seu novo preparador, o substituto de Roger Lemerre, será anunciado ainda nesta sexta-feira pela Federação Francesa de Futebol (FFF). A Itália optou por manter Giovani Trapatoni como preparador, mas decidiu adotar medidas drásticas para proteger e formar seus torneios nacionais.Dessa forma, a Federação Italiana decidiu que vai fechar suas fronteiras para os estrangeiros extra-comunitários a partir do dia 31 de agosto próximo e até o final da temporada, privilegiando jovens nacionais saídos de seus centros de formação. Os clubes da Série A e B só podem também contratar um jogador extra-comunitário até o dia 31 de agosto, além dos que já fazem parte de seus efetivos.Os que já atuam no país poderão, entretanto, mudar de um clube para outro, no interior da Itália. Isso poderá inibir as negociações em torno de alguns novos campeões do mundo brasileiros que não atuam no futebol europeu e pretendiam assinar contratos de cifras espetaculares após a conquista do título.Essa medida poderá ser acompanhada por outros países europeus, cuja situação não difere muito da italiana. São países cujos clubes contam com elencos de alto nível técnico, mas suas equipes nacionais nem sempre correspondem ao futebol praticado nos campeonatos nacionais.Esse é também o caso da Espanha e da Grã-Bretanha, onde o chamado futebol "business" não parece ter dado grandes resultados, pelo contrário, também é forte o endividamento nos clubes destes países.Ações e Bolsas - As ações de clubes cotados nas bolsas de Londres e de Milão estão em baixa. Na Itália, em alguns clubes, no Inter de Milão, por exemplo, alguns jogadores como Ronaldo e Recoba admitiram reduções salariais para não ultrapassarem os tetos estabelecidos, imaginando reequilibrar seus ganhos através de contratos publicitários.O presidente da Federação Italiana, Franco Carraro, procura justificar a decisão reconhecendo que a medida é draconiana, mas necessária diante das dificuldades que o futebol italiano atravessa no momento. Desde o inicio de 2001, o número de jogadores extra-comunitários era ilimitado, pois os clubes podiam contar com cinco jogadores fora da comunidade, alinhando três numa mesma partida.Em 1966, uma medida semelhante foi adotada após o fiasco italiano no mundial da Inglaterra. A medida foi prolongada até 1980, e alguns anos depois a Itália pode obter sua terceira estrela. O estabelecimento de limites para a participação de estrangeiros no "Calcio", vai tornar menos atrativo o campeonato, ainda que do ponto de vista da formação de jogadores nacionais a medida possa parecer positiva.Quem mais está satisfeito com essa evolução é o presidente da Associação dos Jogadores Profissionais, Sergio Campana, pois isso permitirá relançar os centros de formação de atletas. O técnico Fabio Capello, entretanto, lamenta que passada a data fatal de 31 de agosto, o futebol italiano não poderá disputar a contratação de uma eventual grande revelação mundial.Cerco - Outro fator que poderá dificultar a entrada de jogadores estrangeiros será a nova lei italiana de imigração que vai tornar bem mais duras as penas contra jogadores e dirigentes que infringirem a legislação, como foi o escândalo dos passaportes falsos.Na França, o mercado está aberto, mas os agentes de jogadores lembram que ele nunca foi tão fraco. Essa é uma conseqüência do resultado negativo obtido pelos antigos campeões do mundo, mas também da legislação fiscal, onde a parte do "leão" (a receita), é muito maior do que em países vizinhos. A depressão do mercado é tal que mesmo o jogador campeão do mundo, Edmílson, atualmente no Lyon, interessado em mudar de ares não encontrou ninguém disposto a contratá-lo pela soma de US$ 20 milhões, fixada pelo clube, base inicial para começar qualquer conversa sobre sua transferência.Para que se tenha uma idéia, até agora, o senegalês El Hadji Diouf, um dos grandes atacantes revelado durante a copa, foi o único jogador contratado pelo Liverpool US$ 15 milhões de dólares. Nesta quinta-feira, Pape Diouf, um dos empresários atualmente mais ativos no mercado francês justificou essa situação dizendo que os clubes estão super endividados e mantêm um número excessivo de jogadores no seu elenco. A política atual é vender, reduzir os efetivos e não comprar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.