Futebol feminino fica na promessa

Quando a seleção brasileira de futebol feminino ganhou a medalha de prata na Olimpíada de Atenas, não faltaram promessas de dirigentes de que a situação de abandono das atletas teria fim e que haveria um Campeonato Brasileiro e mais os estaduais. Dois meses depois, Marta foi eleita pela Fifa a terceira melhor do mundo e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, anunciou que a entidade financiaria as jogadoras da seleção para elas não deixarem o País.Da CBF, nada foi além da promessa. Até a realização do Campeonato Brasileiro é incerta. São Paulo, pelo menos, tem boas notícias, com o anúncio do Campeonato Paulista. A estrutura é modesta, mas será a primeira competição de longa duração em anos.A iniciativa é da Secretaria da Juventude, Esportes e Lazer do Estado, continuando o projeto iniciado no ano passado com apoio da Federação Paulista de Futebol. Em 2004 foi realizada uma competição curta com 32 times. Em 2005 irá de maio a novembro."Desta vez, o Campeonato Paulista vai ter duas divisões: na Série A1, 16 equipes vão competir em jogos de ida e volta com rodadas a cada duas semanas", diz o secretário Lars Grael. "Só vamos ter recesso em julho, nos Jogos Abertos do Interior, e em outubro, nos Jogos Regionais." A Série A2, segundo o secretário, reunirá clubes de estrutura modesta e terá menor duração. Lars explica que a maioria das equipes será mantida pelas prefeituras. "As regras prevêem que as atletas contem com subsídio e despesas de transporte, alimentação e estadia pagas pelo time." Ele afirma que a competição começa a atrair equipes privadas. "Teremos a presença da Unisantana, Unip, Mackenzie mais Santos, Rio Branco, Juventus e Saad, e o São Paulo também estuda participar", anima-se. Segundo o secretário, em 2004, seis jogadoras da seleção foram inscritas. "Esperamos que o número aumente."Lars afirmou que quer formar uma liga como a Copa São Paulo de Juniores e, para este ano, a perspectiva é de um Torneio Rio-São Paulo. "Quando encontrei com Ricardo Teixeira, falamos a respeito e, já que o Rio terá campeonato, poderemos reunir as quatro melhores equipes de cada em uma competição."Segundo o coordenador de futebol feminino da CBF, Paulo Dutra, ainda não há uma definição sobre o Brasileiro. "É complicado. A maioria dos grandes clubes de camisa não tem time feminino."

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