Reuters/ Carl Recine
Reuters/ Carl Recine

Futebol inglês, de clubes e seleção, em baixa na Europa

Torneio na terra da Rainha não comprova poder financeiro da Liga

Rafael Pezzo, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 08h15

No sorteio desta sexta-feira para a definição das quartas de final da Liga dos Campeões, nenhum papelzinho tinha o nome de um time inglês. Pela segunda vez em três anos, equipes da mais rica liga do futebol mundial ficam ausentes da lista dos oito melhores da Europa.

Contando os 24 classificados às quartas de final da Liga dos Campeões de 2012 a 2015, apenas dois jogavam no Campeonato Inglês. Na temporada passada, Chelsea e Manchester United estiveram entre os oito melhores da continente. A equipe de Old Trafford parou no Bayern de Munique. Já os comandados de José Mourinho foram até a fase seguinte, quando caíram diante de Atlético de Madrid, de Curtois e Diego Costa.

Além da temporada 2012/13, a última vez que não havia um clube da Inglaterra nas quartas de final da Liga dos Campeões foi em 1995/96, quando o único representante, o Blackburn, não passou da fase de grupos.

A última final com um inglês ocorreu em 2011/12, quando o Chelsea derrotou o Bayern, em Munique, e depois perdeu o Mundial da Fifa para o Corinthians. Naquele ano, os quatro times na primeira fase foram às oitavas, mas apenas os Blues chegaram às quartas. Apesar das quedas precoces nos últimos três anos, podemos dizer que a terra da rainha dominou a Liga dos Campeões nos últimos 12 anos. Neste período, os ingleses estiveram presentes nas semifinais em nove edições, avançando à final em sete.

O ápice da força inglesa na Europa foi entre as temporadas 2006/07 e 2008/09. Na ocasião, de 12 semifinalistas, nove eram da Campeonato Inglês. Na final de 2007/08 o Manchester United superou o Chelsea na disputa por pênaltis, em Moscou.

PODERIO FINANCEIRO

A queda dos ingleses na Europa é avessa à situação financeira do campeonato nacional daquele país. Em fevereiro, foi fechado novo acordo de TV, entre 2016/17 e 2018/19, no valor de R$ 22,2 bilhões, cerca de R$ 7,4 bilhões por temporada. O atual acordo divide mais de R$ 4,3 bilhões entre os 20 times participantes da competição.

O Liverpool foi quem mais recebeu dinheiro de televisão no Campeonato Inglês no ano passado, cerca de 117 milhões de euros (R$ 410,5 milhões). Na Liga dos Campeões, no entanto, a equipe de Brendan Rodgers conseguiu apenas uma vitória, dois empates, três derrotas e a eliminação da fase de grupos.

O Chelsea, que arrecadou 112,9 milhões de euros em 2013/14, (R$ 396 milhões) foi eliminado pelo Paris Saint-Germain, que lucrou 44 milhões de euros (R$ 154,3 milhões) com a televisão, maior montante entre os franceses. Já o Monaco, que despachou o Arsenal após vencer em Londres por 3 a 1, arrecadou 29,5 milhões de euros (R$ 103,5 milhões), contra 111,4 milhões de euros (R$ 399 milhões) da equipe de Arsène Wenger.

Os únicos times que faturam mais que os ingleses com televisão são a dupla Real Madrid e Barcelona, com 140 milhões de euros (R$ 491 milhões) cada na temporada passada. O Atlético de Madrid, vice campeão da última Liga dos Campeões, é o quarto espanhol com mais receita de televisão, com 42 milhões de euros (R$ 147 milhões). Na semifinal contra o Chelsea em 2013/14, a disparidade era de cerca de 70,9 milhões de euros. (R$ 248 milhões). 

SELEÇÃO SEM SAL

Na Copa do Mundo de 2014, a seleção inglesa conseguiu sua pior campanha na história dos Mundiais. Com três partidas, amargou um empate e duas derrotas, fez dois gols e sofreu quatro. O campeão inglês da temporada 2013/14 foi o Manchester City. Dos 29 jogadores que conquistaram o campeonato, apenas nove eram nativos do país. Dos dez maiores artilheiros da Campeonato Inglês daquele ano, apenas três eram da Grã Bretanha.

Na Eurocopa, o desempenho do 'English Team' também não é animador. Não classificado ao torneio de 2008, a seleção parou nas quartas de final em 2004 e 2012. Em 2000, não passou da fase de grupos, o contrário da campanha de 1996, quando, como país-sede, chegou às semi e terminou no terceiro lugar.

Apesar de revelar grandes nomes nos últimos anos, como Michael Owen, Steven Gerrard, Frank Lampard, Wayne Rooney, David Beckham, Ashley Cole, Rio Ferdinand e John Terry, a seleção inglesa nunca passou de uma promessa. Outros nomes surgiram recentemente, como Joe Hart, Daniel Sturridge, Jordan Henderson, Ross Barkley e Luke Shaw, mas a participação na Copa de 2014 não deixa a torcida muito animada.

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