Futebol movimenta R$ 30 bilhões na Europa

Nunca, na história, o futebol movimentou tanto dinheiro como nos últimos dois anos. Somente na Europa, o esporte faz circular por ano 10 bilhões de euros, cerca de R$ 30 bilhões. A avaliação é da consultoria Deloitte & Touche Sport, que hoje publicou seu relatório em que mostra que, só na Inglaterra, os clubes pagam anualmente R$ 2,1 bilhões em impostos ao governo. "O futebol nunca teve tanto dinheiro, mas a situação não é fácil. Os custos devem ser controlados para que não haja crises", afirmou Dan Jones, diretor da consultoria. Entre 2000 e 2002, as rendas dos principais clubes europeus passaram de 6,6 bilhões de euros para 7,1 bilhões de euros. Desse total, 80% é gerado em apenas cinco países: Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e França. Somente o campeonato inglês, considerado pela consultoria como o mais rico e mais bem organizado do planeta, movimentou 1,7 bilhão de euros em 2002. Provada eficiência dos ingleses é o fato de que a renda em um dia de jogo no país supera em três vezes a renda do resto da Europa. Apesar da movimentação de dinheiro jamais vista no esporte, nem todos lucraram. Na Itália, o campeonato apresentou prejuízos pelo seu segundo ano seguido. Durante a temporada 2001/2002, as perdas foram 400 milhões de euros, o dobro do prejuízo calculado em 2000. Para a temporada 2003-2004, reformas tiveram que ser feitas na organização do campeonato para evitar novas perdas. Parte do problema estava no aumento dos salários que ocorreu até o ano passado em toda a Europa. Entre 2000 e 2002, os salários cresceram em média 6% na França, 25% na Inglaterra e 17% na Alemanha. Outra parte do problema foi a redução do apoio financeiro dado pelas TVs aos clubes. Os dirigentes estavam contando com esses recursos para pagar os salários de seus craques e, a quebra de alguns grandes conglomerados colocou várias equipes em dificuldade. Segundo o estudo, o aumento dos salários foi freado em 2003 e as transferências foram mais tímidas. Salvo a venda de David Beckham do Manchester United para o Real Madrid, e de Ronaldinho do PSG para o Barcelona, o mercado europeu está sendo movimentado apenas pelas vendas de jogadores sem o estatus de astros. "As finanças do futebol voltaram a se equilibrar em 2003", completou a consultoria.

Agencia Estado,

30 de julho de 2003 | 15h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.