Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Futebol ruim, diretoria perdida e ameaçado de ficar fora do Estadual

São Paulo trocou de treinador, mas continua afundado em seus problemas no Morumbi

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 13h16

Caro leitor,

Continuo preocupado com o São Paulo, como disse no primeiro capítulo desta história, e sei que não estou sozinho nesta. A crise do time não é momentânea, por assim dizer, não reside unicamente na falta de rumo nesta temporada. A crise do São Paulo pode ser levada lá para trás, para 2012, por exemplo, quando o clube ergueu sua última taça, na Sul-Americana depois de o Tigres desistir do jogo pela metade, como o Estadão retratou na época. Lembra? Então, podemos dizer que essa crise já dura alguns bons anos, já teve outros personagens e continua a assombrar o Morumbi.

Neste momento, a pressão é enorme, como já foi em outras épocas. Pablo e Hernanes, dois dos principais jogadores do elenco de Mancini, por exemplo, deram a letra para as próximas apresentações do time, que precisa ganhar seus dois jogos, contra Palmeiras e São Caetano, para não ficar fora de etapa de mata-mata do Campeonato Paulista. Seria um desastre ser eleiminado. O meia tratou de dar um puxão de orelha generalizado no grupo ao comentar que o São Paulo não pode fazer uma boa partida, ganhar e depois afrouxar. Veja o que ele disse aqui.


Enquanto os problemas de campo não se resolvem, a diretoria desgosta do que gostava e vai tentando repassar alguns jogadores para outros times, como ocorreu com Diego Souza, emprestado ao Botafogo do Rio. Foi de graça após o clube ter investido R$ 10 milhões em seu contrato e mais R$ 7,8 milhões em salários durante um ano. Fez 17 gols, cada um avaliado, portanto, em R$ 1 milhão, conforme reportagem do Estadão. Não dá. A torcida pega no pé mesmo. Nenê deve ser o próximo a limpar o armário no vestiário. O São Paulo rasga dinheiro. Raí, homem forte do futebol, chegou com fôlego e bastante animado. Ele disse isso para o Estadão em entrevista exclusiva. Veja. Mas foi perdendo o brilho nos olhos com tantas coisas erradas, algumas delas de sua responsabilidade.

A fase é tão ruim que até o Ministério do Trabalho fez o clube réu ao pedir indenização para um garoto da base. O São Paulo vai recorrer, mas não se sabe se ganhará. Sem a Libertadores, eliminado pelo Talleres, que nem está mais na competição, a diretoria necessita rever algumas contas e vai tentar reduzir seus gastos em R$ 20 milhões no ano. Raí parece perdido no cargo. Marco Aurélio Cunha, que já esteve em sua função e hoje trabalha para a CBF, defende o ex-jogador. Diz que não é hora de pedir cabeças. Pois é isso que a torcida faz. Quer a do presidente numa bandeja. Os nervos vão esquentar, como ocorreu após a eliminação na pré-Libertadores, se o time não conseguir se garantir no Estadual. Contra o Palmeiras, por exemplo, não será fácil. O jogo está marcado para o Pacaembu. Nos 51 clássicos que o São Paulo fez na década como visitante, só ganhou 6. É muito pouco. Será mandante no Pacaembu, mas é como se não fosse. 

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