Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Futebol sem brilho aumenta pressão sobre Gilson Kleina

Postura da equipe e entrevistas recentes fazem o treinador se desgastar e perder força para ficar em 2014

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2013 | 07h43

SÃO PAULO - Um dos maiores mistérios que rondam o Palmeiras em relação a 2014 é quem terá a importante missão de comandar o time no ano de seu centenário. O contrato de Gilson Kleina termina em dezembro e a diretoria ainda não se pronunciou a respeito do que vai fazer. A questão é que a cada dia o treinador desgasta mais sua imagem e desagrada até quem o defende no clube.

O pensamento de boa parte da diretoria, inclusive do presidente Paulo Nobre, é de que o Palmeiras conseguiria voltar para a Série A sem dificuldades, fosse com Kleina ou qualquer outro. O que seria preponderante para a permanência do treinador era a forma com que a equipe se comportaria. Nas últimas partidas, o desempenho tem sido muito ruim e a pressão em cima da diretoria para trazer um outro comandante – de preferência, um técnico renomado – só aumenta.

O jogo contra o Icasa gerou constrangimento. Embora o time estivesse sem nove jogadores, a atuação desastrosa fez ecoar muitas cornetas no ouvido de Paulo Nobre. As críticas maiores são pelas escalações que Kleina tem feito nos últimos jogos e por ter uma postura, algumas vezes, incoerente. Como, por exemplo, o treinador afirmar publicamente que iria pedir para Marcelo Oliveira se tornar zagueiro e assim ajudar mais o time. Mas, dias depois, escalou o jogador como volante e, coincidentemente, o gol do Icasa saiu em um lance em que Marcelo Oliveira bateu cabeça com Marcos Vinícius, que entrou na zaga para ele atuar no meio de campo.

Outro ponto que incomoda muita gente no clube é a constante tentativa Kleina se defender. Ele sempre faz questão de ressaltar que “não quer legislar em causa própria”, mas logo em seguida diz que tem feito um bom trabalho e conseguirá atingir o objetivo pedido pela diretoria, que é levar o time de volta para a Série A. Recentemente afirmou que, ao garantir o acesso, vai chamar a diretoria para conversar e saber de sua real situação. Isso foi encarado por algumas pessoas no clube como uma pressão em cima dos dirigentes.

Apoio de peso. Kleina tem ao seu lado o apoio dos atletas, que dizem sentir confiança no treinador e aqueles que trabalharam com Felipão entendem que o atual técnico é muito mais flexível e dá espaço para eles darem suas opiniões. Boa parte dos defensores do treinador acredita que seja melhor investir em bons jogadores do que em um técnico renomado.

Para defender o chefe, os jogadores assumem a responsabilidade pelos resultados negativos. “Foi o pior jogo do Palmeiras em toda a Série B. O Icasa jogou por uma bola, fez o gol e, depois, nós ficamos naquela situação ruim de correr atrás do resultado”, disse Wesley. A diretoria mantém o silêncio e promete dar uma resposta ao treinador assim que terminar de analisar o seu trabalho, sem estipular uma data. Enquanto isso, Kleina tenta evitar que cada dia que se passa seja mais um próximo de seu adeus.

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