Rodrigo Corsi/FPF
Rodrigo Corsi/FPF

O futebol vai parar? Qual é a posição dos clubes? Perguntas e respostas sobre o impasse na pandemia

Enquanto Brasil passa por momento delicado no combate à covid-19, Estaduais enfrentam dificuldade para prosseguir

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 13h00

O futebol vive um impasse durante a pandemia do novo coronavírus. Com alguns Estaduais paralisados, outros tendo que realizar os jogos em locais diferentes e torneios adiados, o calendário passa por um momento de indefinição. Nesse contexto, o Estadão preparou perguntas e respostas sobre a situação atual e como a pandemia pode impactar o calendário esportivo.

O futebol vai continuar?

Pela fala do presidente da CBF, Rogério Caboclo, em reunião vazada com os clubes, o futebol vai continuar. Ele disse com todas as letras que manda no futebol e que os times estariam f... se o futebol parasse agora. Ele não vai parar o Brasileirão 2021, Copa do Brasil e Copa do Nordeste, por exemplo. O torneio nacional começa em maio.

Os clubes concordam com isso?

Sim, todos eles. Na mesma reunião, ninguém foi contrário ao que pensa a CBF e seu presidente. Alguns dirigentes podem até discordar, mas não levantaram a voz contra a continuidade do futebol em meio à pandemia e num momento em que o Brasil perde de goleada para a doença.

Os Estaduais também vão continuar?

Não se sabe. Neste caso, cada Estado brasileiro está tomando suas decisões em função dos mandos dos governadores e dos especialistas da saúde. No Rio Grande do Sul, o torneio segue. No Rio também, apesar da proibição de jogos na capital a partir desta quarta. Há alguns torneios parados e outros parados parcialmente, com jogos em cidades abertas. Em São Paulo não se joga mais futebol no Estado até o dia 30, mas a FPF leva alguns confrontos para outros Estados, como ocorreu com Corinthians 1 x 0 Mirassol e Palmeiras x São Bento, por exemplo. Esses jogos foram para Volta Redonda, no Rio. 

É possível o presidente Jair Bolsonaro pedir para parar tudo?

Neste momento ele não dá nenhuma demonstração disso. O futebol, aliás, tem sido uma de suas plataformas. Segundo o presidente da CBF, ele também não teria poder para fazer isso.

Alguém pode parar o futebol?

Teoricamente não. Apenas as entidades que cuidam da modalidade, como Fifa, Uefa, Conmebol, CBF e federações estaduais. A CBF é uma entidade privada. Não responde para nenhum órgão admnistrativo do País, embora esteja sob as leis brasileiras. Os governadores, como João Doria fez, podem vetar as partidas no Estado, mas isso não impede, como temos vistos, de os jogos acontecerem em lugares permitidos. Isso ocorre porque não há uma unidade no comando das prefeituras, dos Estados e do Brasil em relação ao futebol.

Como se comportam os presidentes de clubes em meio à pandemia e jogos?

Todos são pela permanência dos compeonatos. Todos dependem do dinheiros dos torneios e das cotas de TV. A maioria já anunciou, não de forma oficial, prejuízo financeiro em 2020. Todos os elencos e membros dos clubes fazem testes regulares para a covid-19, até três vezes por semana. E se apegam aos protocolos de saúde desenhados por especialistas.

O que pensam os atletas?

Eles entendem o que está acontecendo no Brasil, valorizam a família e os protocolos de saúde e se apegam aos testes que fazem regularmente. Não são unidos como entidade. De modo geral, são pelos jogos. Felipe Melo, do Palmeiras, disse isso. Questionou por que jogar em Volta Redonda e não em São Paulo. É pela continuidade das partidas como a maioria. Os jogadores quase não se posicionam.

Há muitos surtos de covid-19 no futebol?

Ao longo de um ano da pandemia, alguns clubes informaram casos ao mesmo tempo. Mais recentemente, Flamengo, Corinthians, Ponte Preta e Marília sofreram com a contaminação de atletas e membros da comissão técnica e até dirigentes. Todos os clubes já tiveram jogadores contaminados. Nenhum deles precisou procurar ajuda hospitalar, segundo os próprios clubes.

O que acontece se o futebol parar?

Nas competições em andamento, elas terão de renegociar calendário, como aconteceu na temporada passada, que se estendeu até fevereiro deste ano. Isso implicaria no atraso das competições que ainda não começaram. Empurraria tudo para frente. Poderia haver jogos com diferença menor de 72 horas entre um e outro, o que fere a lei esportiva. E avançar para a temporada 2022, ano de Copa do Mundo.

E do ponto de vista econômico?

As federações e TVs donas dos direitos de transmissão poderiam deixar de pagar os clubes. Os contratos poderiam ser renegociados. Menos camisas poderiam ser vendidas. Os clubes teriam ainda de rever acordos com seus colaboradores e repensar suas dívidas, além de seus acordos com os patrocinadores.

E como ficam as competições internacionais, como Copa Libertadores?

Essas são vnculadas à Conmebol, a Federação Sul-Americana de Futebol. A pré-Libertadores está rolando, com jogos de ida e volta. Os clubes estão se ajeitando em mandar partidas onde elas estão liberadas. O Santos, por exemplo, não vai jogar em São Paulo nem em Santos por enquanto. Há países que estão fechados para estrangeiros. Tudo isso tem de ser negociado com a Conmebol e governos federais. Não está descartado de parar.

E os jogos da seleção brasileira?

O Brasil tem as Eliminatórias da Copa do Catar para jogar. A competição está suspensa por determinação da Fifa e da Conmebol por causa da pandemia na América do Sul. O Brasil é quem mais sofre com a doença. Foram jogadas duas partidas apenas. Na Europa, os times não querem liberar seus jogadores sul-americanos porque eles têm de ficar de quarentena na volta, e não podem jogar. Não há previsão de as partidas voltarem. Os países sul-americanos têm muitas restrições de viagens. Em outros lugares, como na Europa e Ásia, as Eliminatórias foram retomadas.

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