Nilton Fukuda/Estadão
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Futebol vence primeiro turno desafiador por causa da covid-19

É preciso destacar a coragem e o empenho de todos para colocar o futebol em campo

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2020 | 05h00

É preciso ter uma certeza, de que o 1.º turno do Campeonato Brasileiro foi desafiador para todos, de atletas a organizadores do evento, passando pela arbitragem até chegar no torcedor, esse ainda ausente das arenas e sem data para reaparecer por causa da covid.

Vários passos foram dados para se chegar até aqui: 19 rodadas, nem todas completas, de um calendário apertado devido à paralisação do futebol, desorganização, falta de dinheiro, novos protocolos de saúde, jogadores contaminados e partidas encavaladas pelos torneios do ano.

O mais fácil era condenar tudo o que não deu certo, nem está dando, e responsabilizar esse ou aquele. Mas é preciso lembrar que a temporada é atípica por causa da pandemia e que o futebol traz um alento nesse período de trevas. Houve, e ainda há, esforço generalizado das partes para manter a bola rolando. É notável a coragem que essa turma teve para retomar as partidas, se submeter aos testes da doença, conviver com ela nos casos positivos até vencer o vírus no organismo. Tudo parece fácil e pronto quando o torcedor sintoniza sua TV ou qualquer aparelho de streaming momentos antes dos 90 minutos, muitas vezes não se dando conta do que foi feito para que o jogo do seu time pudesse acontecer.

Em todos os cantos do mundo, foi desafiador recuperar o futebol, esse esporte que amamos, bonito ou feio, de grandes duelos ou de confrontos medonhos. Não importa. Enquanto ele esteve parado, interrompido pela covid-19, sua falta foi extremamente sentida.

Ainda não parece claro que ele deveria ter voltado em meio à pandemia, em meio à uma doença que mata nossa gente e não dá tréguas depois de oito meses, com sua segunda onda ativa.

O Brasil passou no teste, com todas as suas dificuldades, mazelas e sobressaltos. Mas não pode amolecer, baixar a guarda. Devemos respeito a todos esses que fazem da sua profissão uma tentativa de levar alegria às pessoas.

Em campo, no Brasil, foi preciso esperar e ter paciência para se divertir. Há seguidores que ainda não viram seu time em alta. Esses se aborrecem, ameaçam desistir, perdem os cabelos, mas continuam a acompanhar. A falta de paciência também foi constatada nos gestores, que abusaram do direito de demitir treinador. Já caíram 11 técnicos em 19 jornadas incompletas.

O torcedor, mesmo ausente nos estádios, é bastante presente na vida dos clubes, não deu refresco a ninguém. As manifestações foram intensas. Eles bagunçaram o coreto e pediram muitas cabeças, nem todas atendidas, diga-se.

O VAR também entrou na dança, muito mais vaiado do que aplaudido, quase sempre condenado. O tempo parado serviu apenas para enferrujar os operadores e envolvidos com as imagens de vídeo da arbitragem. Lentos como sempre e mais confusos do que nunca. Em algumas partidas, perdeu o respeito dos dois lados do campo.

Muitos confrontos decepcionaram também, a ponto de muita gente afirmar que via em campo algo parecido com futebol. Juravam, no entanto, que aquilo não era futebol.

Com o tempo, o torcedor foi apontando algumas boas partidas, jogos interessantes e apresentações dignas do que se vê na Europa. Times como Flamengo, Inter e Atlético-MG despontaram. Seus respectivos técnicos estrangeiros foram ovacionados. Algumas outras equipes passaram a mostrar bom futebol, como Santos, Fortaleza e Flu. Gigantes melhoraram, mas ainda não convenceram, a exemplo de São Paulo, Grêmio e Palmeiras. Outros são olhados com desconfiança, como Corinthians, Botafogo, Vasco... O futebol não vai acabar por causa da covid, mas que esse ano é desafiador, é.

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