G-12 do futebol brasileiro leva apenas 7 mil por jogo nos Estaduais

Grandes dos campeonatos de SP, RJ, MG e RS não empolgam e torneios têm prejuízos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - Os quatro principais Campeonatos Estaduais do País estão longe de satisfazer a torcida. Levantamento do Estado nas partidas realizadas até a última quarta-feira nos torneios de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul revelam que nem os grandes empolgam o suficiente para levantar a média de público. Os doze grandes clubes desses estados levam em média 7 mil pessoas para cada partida, seja como mandante ou visitante.

O número só não é pior por causa do Campeonato Paulista, o único em que três grandes jogam a cada rodada para uma plateia acima de 10 mil pagantes, mesmo longe de casa. Os números mais preocupantes são do Cariocão. Dos 120 jogos da primeira fase, 61 tiveram públicos inferiores a 500 pessoas. E dos clubes mais tradicionais, somente o Vasco não jogou uma vez sequer diante de menos de mil pagantes.

O Carioca teve ainda situações inusitadas. Em fevereiro, por exemplo, o Flamengo recebeu o Madureira, no Maracanã, diante de 3,3 mil pessoas. Como parte da renda foi penhorada para pagar dívidas, o Rubro-Negro lucrou apenas R$ 500 com a partida. O rival, Botafogo, viveu condição ainda mais insólita neste Estadual, quando não empolgou nem mesmo com visitante. Ao longo das 15 rodadas, jogou em média para um público pagante de 1,9 mil. Uma das possíveis causas é o fato de o clube priorizar a Libertadores e ter escalado reservas na maior parte dos compromissos pelo Carioca.

"Não foi a Federação que estabeleceu nada referente a esse campeonato. É a escassez de talentos, horários inadequados dos jogos, dias inadequados também, sem contar o fator segurança e a grande concorrência que a oferta de lazer compete nessa época com o futebol. Concordo que o campeonato precisa ser estudado, revisto, discutido", defendeu o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, em entrevista à Rádio Globo.

Para se adequar à Copa do Mundo, todos os calendários dos Estaduais foram alterados. Mesmo mais enxutos, não agradaram e a Ferj decidiu contratar uma empresa para elaborar uma fórmula mais apropriada para a disputa no Rio. Em São Paulo, o regulamento causou distorções na classificação para a segunda fase. Donos das melhores campanhas caíram fora. "A gente espera que uma hora esse formato mude", criticou o técnico são-paulino Muricy Ramalho após a eliminação para o Penapolense, quarta-feira.

BILHETERIA

A Copa do Mundo atrapalhou o Inter em outro quesito: a falta de um lugar para jogar. Com o Beira-Rio na reta final de obras, o time pôde atuar apenas uma vez em seu campo e passou maior parte do tempo como mandante em Novo Hamburgo, onde chegou a ter prejuízo. Em três ocasiões a arrecadação foi inferior ao custo de receber a partida, como contra o São José, quando os cofres do Inter tiveram um rombo de R$ 32 mil por causa do público de apenas 1,4 mil pagantes. "Daqui a pouco meu torcedor nem sabe mais o caminho do Beira-Rio. Ele vai entrar no carro e ir para Novo Hamburgo", lamentou o técnico Abel Braga.

Em 2014, nem o atual campeão da Libertadores empolgou a torcida do Interior de Minas Gerais. A presença do Atlético deu prejuízo para o URT, de Patos de Minas. Os 3,6 mil pagantes causaram desfalque de R$ 24,6 mil para o clube. Em São Paulo, o Mogi Mirim viveu situação recorrente ao longo do Paulistão. Dos oito jogos em casa, apenas quando recebeu Corinthians e Santos o clube de Rivaldo não teve prejuízo financeiro.

MÉDIA DE PAGANTES

Palmeiras 12.708

Corinthians 11.791

São Paulo 11.300

Cruzeiro 7.944

Grêmio 6.639

Santos 6.620

Atlético 6.313

Fluminense 5.853

Flamengo 5.406

Vasco 4.075

Inter 3.911

Botafogo 1.921

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.