Cesar Greco/Agência Palmeiras
Cesar Greco/Agência Palmeiras

Gabriel Fernando pede valorização e acordo com Palmeiras emperra

Negociação para renovar contrato com o atacante que é o grande destaque da base do clube tem dificuldades por diferença de valores

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2014 | 07h03

Atualizado às 10h17

Ele nunca atuou pelo time principal, mas hoje é um dos jogadores mais comentados do Palmeiras. Gabriel Fernando, atacante de 17 anos, tem números impressionantes na base e tamanho sucesso faz com que a diretoria e seus empresários transformem a negociação em novela. De um lado, o presidente Paulo Nobre tenta manter o garoto sem ter que pagar cifras elevadas, enquanto a cada dia o garoto se valoriza ainda mais e espera pelo reconhecimento.

Gabriel já marcou 34 gols em 19 jogos no Paulista Sub-17. No último sábado, fez os dois gols da vitória de virada sobre o São Paulo por 2 a 1, na semifinal do Estadual. A negociação para renovar contrato começou em março desse ano e parece distante de um acerto, embora os agentes do atleta e a diretoria do clube digam o contrário.

O Estado teve acesso a alguns emails e conversou com algumas pessoas que demonstram como a negociação está emperrada. O atacante recebe R$ 2,5 mil por mês e em março, seus empresários, Fábio Caran e Cristiano Simões, deram início às conversas para renovar. Eles pediram a prorrogação por mais um ano e meio, o que faria o vínculo atual, que se encerra em dezembro do ano que vem, ser entendido até julho de 2016.

O salário passaria para R$ 6 mil no primeiro ano, R$ 8 mil no segundo e R$ 10 mil no terceiro. A porcentagem atual dos direitos do atleta é de 75% do Palmeiras e 25% dos empresários. Os agentes pediram para ficar 60% sendo do clube e 40% deles.

Em junho, após três meses, o Palmeiras fez uma contraproposta oferecendo um contrato de cinco anos com os seguintes valores, que aumentariam a cada ano: R$ 10 mil, R$ 12 mil, R$ 14 mil, R$ 17 mil e R$ 20 mil e os direitos ficariam sendo 75% do Palmeiras e 25% dos agentes.

A questão é que, por ser menor de idade, o atacante pode assinar um contrato de apenas três anos. Então, ele já deixaria um pré-acordo válido por mais duas temporadas. Uma semana depois da oferta palmeirense, com Gabriel se destacando ainda mais na base, os agentes fizeram uma nova contraproposta, pedindo R$ 20 mil, R$ 25 mil e R$ 30 mil, valores que subiriam ano a ano. Eles ainda queriam R$ 700 mil de luvas e auxílio moradia para o garoto, que mora em uma comunidade na Vila Peri, Zona Norte de São Paulo. E os direitos do garoto ficariam sendo 30% para o empresário e 70% para o clube.

Em agosto, o garoto foi promovido ao time principal, pelo técnico Ricardo Gareca, e chegou a ficar no banco de reservas na derrota por 1 a 0 para o Atlético-MG, dia 27 de agosto, pela Copa do Brasil. Dias depois, voltou para a base e não deve subir novamente até que sua situação seja definida.

O garoto tem sido sondado há muito tempo, mas as propostas, de fato, começaram a chegar recentemente. Depois dele brilhar na vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, no dia 25 de outubro, pelas quartas do Estadual sub-17, o assédio aumentou.

Recentemente, Santos, Corinthians, São Paulo, Porto, Juventus, Benfica, entre outros, já manifestaram interesse nele. A multa para jogar em outro clube brasileiro é de apenas R$ 3 milhões.

Sem uma resposta positiva do Palmeiras e em meio a tanta exposição e valorização, os agentes fizeram uma nova contraproposta com valores em torno de R$ 60 mil mensais para o garoto fechar um contrato de três anos com valor fixo. É próximo do que alguns dos clubes interessados ofereceram para levar o garoto. Um grupo de investidores se mostrou interessado em ajudar a pagar o atleta, já que o Palmeiras vive uma situação financeira delicada. Em troca, teria parte dos direitos do jogador e o valor dependeria do quanto o clube ficaria responsável por pagar. Inicialmente, a ideia não agradou ao presidente palmeirense.

ABERTO PARA CONVERSA 

Nobre se assustou com o pedido de R$ 60 mil dos empresários, mas está disposto a fazer de tudo para segurar a joia palmeirense. A ideia é conseguir tentar fazer um acordo e chegar a valores que agradem aos dois lados da transação. Assim que fechar o contrato, o garoto deve ser reintegrado ao time principal e conseguir, finalmente, ter uma sequência de jogos na equipe.

Enquanto isso, Gabriel tenta manter o foco na semifinal do Paulista. No sábado, tem o jogo da volta da semifinal contra o São Paulo. No meio de tudo isso, ele está chateado e assustado com tanta repercussão.

Os agentes de Gabriel não querem falar do assunto e só garantem que a negociação está próxima de um desfecho. Já o Palmeiras, como de praxe, disse que não vai comentar sobre negociações em andamento. 

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