Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Gabriel Jesus, dois anos depois

Será um jogador da primeira linha do futebol mundial? A resposta parece se aproximar

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 04h00

Há 24 meses o Palmeiras reconquistava o título brasileiro após 22 anos e Gabriel Jesus, então com 19 de idade, era estrela do time. Já negociado com o Manchester City, embarcaria para a Inglaterra em janeiro de 2017 sob a enorme expectativa de que, sob a batuta de Pep Guardiola, se transformaria no grande camisa 9 brasileiro de sua geração. 

Chegou com tudo à Europa. Marcou oito vezes nas 11 partidas que fez na segunda metade da temporada 2016/2017 e, entrosado com Neymar, virou artilheiro da seleção. Alcançou as 20 primaveras balançando redes, comandado no time nacional pelo melhor treinador brasileiro da atualidade e, em seu clube no, para muitos, maior técnico do mundo. 

Perspectivas animadoras fizeram os mais açodados reivindicarem a barração de Sérgio “Kun” Aguero para a efetivação de Gabriel. Não seria tão simples. O argentino é o maior goleador da história dos Citizens e herói do título inglês de 2012, que encerrou jejum de 44 anos! Com o início fulminante do brasileiro, parecia questão de tempo Jesus titular. Não foi. 

Sábado, no importante jogo contra o Chelsea, que venceu por 2 a 0, sem o titular, machucado, Guardiola voltou a deixar o brasileiro no banco e pôs em campo um time sem centroavante. O lançou aos sete minutos do segundo tempo. Mais uma vez não brilhou. O futebol de Gabriel vive momento de estagnação. Não significa que jamais voltará a progredir, mas há algum tempo isso não ocorre.

Ao se lesionar em 31 de dezembro de 2017, no 0 a 0 com ao Crystal Palace, acumulava 10 jogos sem marcar. Voltou a atuar 56 dias depois e demorou mais três compromissos para ir às redes. Entre 2017 e 2018 fez 17 gols em 44 pelejas, sete na última dúzia de aparições pelo City na temporada em que o time levantou a Premier League com uma centena de pontos, 106 gols e saldo de 79. 

Jesus parecia técnica e fisicamente recuperado no desfecho da temporada que passou, mas não fez um gol sequer durante a Copa do Mundo, embora Tite tenha nele insistido. A ponto de seu desempenho tático, marcando quando o Brasil perdia a bola, virar mantra de quem defendia sua permanência entre os titulares, mesmo com Roberto Firmino pedindo passagem. 

Na temporada atual ele soma 19 partidas e cinco gols por seu time, três nos 6 a 0 sobre o Shakhtar, na Liga dos Campeões. Pouco. No campeonato inglês só fez um, o terceiro da equipe contra o Huddersfield, surrado por 6 a 1. Escalado 13 vezes na liga, foi titular apenas em quatro ocasiões e somente na que marcou ficou em campo até o fim. 

Mesmo assim são 546 minutos em ação, mais de seis partidas inteiras, várias boas chances e um só tento. Nos jogos do City, Gabriel parece em outra rotação na inevitável comparação de seu desempenho com Raheem Sterling, Riyad Mahrez e Leroy Sané. A participação do brasileiro não é tão intensa e sua eficiência como finalizador, baixa. 

Na atual Premier League, em 13 aparições, soma 20 arremates, sete deles da pequena área, 17 na direção do gol e um convertido. A carência de centroavantes de primeira linha é problema que se arrasta desde o ciclo Dinamite – Reinaldo – Romário – Ronaldo – Adriano. Até aparecem goleadores, mas nenhum de tal calibre. Não por acaso, veteranos como Fred e Ricardo Oliveira ainda estão por aí, com mercado e valorizados. Jesus virou esperança. Ainda é. Está na hora de começar a se transformar em realidade. Será um jogador deste nível, da primeira linha do futebol mundial? A resposta parece se aproximar. E além dele não há sinal do surgimento de grande camisa 9 no curto prazo.

 

 

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