Corey Wilson/Rip Curl
Corey Wilson/Rip Curl

Tubos perfeitos coroam o bicampeonato mundial de Gabriel Medina

Brasileiro dá show nas ondas de Pipeline, no Havaí, conquista seu segundo título mundial e prova ser um dos principais atletas nacionais

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2018 | 20h55

“Espaço reservado para o troféu do bicampeonato mundial”. Na sala de conquistas do surfista Gabriel Medina, no Instituto que criou com seu nome em Maresias, no litoral paulista, a mensagem servia de motivação antes do embarque para o Havaí. E como uma profecia, o atleta brasileiro cumpriu à risca o que dizia o bilhete e garantiu seu mais novo troféu no surfe.

O brasileiro conquistou o bicampeonato mundial de surfe nesta segunda-feira durante a disputa do Billabong Pipe Masters, no Havaí. Ele confirmou o favoritismo ao passar suas baterias sempre com bom desempenho enquanto seus adversários, o brasileiro Filipe Toledo e o australiano Julian Wilson, não tiveram como pará-lo na última edição.

“Trabalhei muito duro neste ano. Foi intenso, mas tudo valeu a pena. Não consigo encontrar palavras. Estou muito feliz. Quero agradecer aos amigos e familiares que vieram e me deram força. Sempre venho para fazer o meu melhor. Tive fé, tentei o máximo até o final. Vi que os rivais estavam conseguindo boas notas, mas mantive a calma, mantive a concentração e consegui novamente”, afirmou o bicampeão mundial de surfe.

Medina precisava chegar à final em Pipeline para ficar com o título. Nem precisa disputá-la. E como um mantra, repetia isso a cada entrevista após baterias vitoriosas. Passou na primeira fase diretamente para a terceira, deixando o australiano Connor O’Leary e o havaiano Benji Brand na repescagem.

Na terceira fase, eliminatória, o brasileiro de Maresias ganhou de um outro surfista local, Seth Moniz, e manteve o foco para cumprir sua meta. Foi nessa prova que Filipe Toledo acabou sendo eliminado, perdendo para o lendário Kelly Slater e dando adeus à disputa do título. 

Na quarta fase, Medina fez 16,90 pontos para avançar às quartas de final em bateria que tinha ainda o havaiano Sebastian Zietz e Michel Bourez, do Taiti. Depois, despachou o norte-americano Conner Coffin nas quartas com impressionantes 19,43 pontos em 20 possíveis – o rival fez 14,26 pontos.

Na semifinal, o brasileiro teve um duelo equilibrado com o sul-africano Jordy Smith, que começou na frente, mas tomou a virada depois que Medina pegou um lindo tubo para Backdoor, alcançando uma nota de 9,10 pontos. No final, ele somou 16,27 contra 15,83 de Smith e saiu do mar nos braços de amigos e familiares em Pipeline.

É o segundo título do Circuito Mundial de Surfe do garoto de Maresias. Em 2014, ele se tornou o primeiro brasileiro a ser campeão mundial na modalidade. Agora, é o primeiro bicampeão e deixa o Brasil com três troféus – Adriano de Souza ganhou o Mundial em 2015. O feito de Medina coroa o ótimo momento do surfe nacional. 

Medina chegou ao Havaí na liderança do campeonato e sabia que dependia apenas de si para conquistar o título. Com grandes tubos, manobra mais bem pontuada no Pipe Masters, levantou a torcida brasileira e sua família na areia em Pipeline. Quando o título foi sacramentado, os fãs fizeram a festa na praia, um verdadeiro carnaval verde e amarelo.

A façanha de Medina confirma o talento do jovem de 24 anos, amigo de Neymar, que desde cedo mostrou talento e sempre foi precoce nas conquistas. Com 15 anos, foi o atleta mais novo a vencer uma etapa do Mundial. A partir daí, colecionou feitos mostrando estilo arrojado. Tanto que até o campeão mundial Joel Parkinson, da Austrália, se rendeu ao talento do brasileiro. Em entrevista para o podcast “Ain’t that swell surf radio”, considerou Medina o maior talento de todos.

“Eu sempre disse isso dele. Desde jovem, achei isso. É um dos melhores que já vi, se não é o melhor que eu já vi sobre uma prancha. Eu sou um fã do Gabriel e amo vê-lo surfar. Falo para o Mick Fanning e para todo mundo ouvir. Ele é o melhor que já vi”, disse Parko, que ganhou o título mundial em 2012.

Medina abraçou a mãe assim que saiu da água. Ela chorou. Um dos trunfos do surfista é ter desde cedo o apoio da família. Quando ainda era criança, falou para o padrasto Charles Saldanha que queria ser campeão mundial. Foi daí que surgiu a parceria que dura até hoje, com Charles atuando como técnico e principal mentor do garoto. A mãe de Gabriel, Simone, é a grande incentivadora e torcedora número um do filho. O irmão Felipe é grande parceiro e a irmã Sophia já segue os passos no surfe e demonstra ter talento.

E foi dessa união familiar, talento precoce e uma competitividade enorme que Medina levou o surfe mundial para um outro patamar. Ao lado de John John Florence, Filipe Toledo e Italo Ferreira, é o grande nome da nova geração e tem tudo para ampliar o número de troféus.

 

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