Román Ríos/ EFE
Román Ríos/ EFE

Gabriel Paulista e técnico do Valencia condenam racismo contra zagueiro Diakhaby

Francês foi alvo de ofensa racista por parte de Juan Cala, do Cádiz, em jogo do Campeonato Espanhol

Redação, Estadão Conteúdo

04 de abril de 2021 | 20h44

O brasileiro Gabriel Paulista e o técnico Javi Gracia condenaram o ato de racismo que o zagueiro Diakhaby sofreu neste domingo, em jogo do Valencia na casa do Cádiz. O francês foi chamado de "negro de merda" por Juan Cala ainda no primeiro tempo e abandonou o campo. O time também saiu do gramado, solidário ao defensor, mas acabou atendendo seu pedido e, para evitar punição, retornou para a partida, sem esconder a indignação.

"Como capitão do Valencia, estou orgulhoso de como a equipe apoiou Diakhaby ao deixar o campo. Nenhum jogador merece essa humilhação. Todos perdemos, e não falo sobre o resultado. Nós, o Cádiz e o futebol em geral. Não ao racismo, não aos racistas", postou o brasileiro Gabriel Paulista, que flagrou a ação de Cala.

Após uma disputa quente na área, o jogador do Cádiz bateu boca com Diakhaby e acabou ofendendo-o. Dupla defensiva com o francês, o brasileiro gritava com Cala, reprovando sua atitude. "Negro de merda, não. Isso, não", reclamou.

O técnico Javi Gracia também ficou indignado com a discriminação sofrida por seu jogador. "Diakhaby ficou muito chateado e ficamos sabendo que ele havia sido seriamente insultado. Ele estava muito nervoso e quando nos contou o insulto, dissemos ao árbitro que não concordávamos e que estávamos desistindo do jogo", disse o treinador. "No vestiário, nos disseram que seríamos punidos se não voltássemos a campo e conversamos com Diakhaby para saber como ele estava."

Foi a atitude do defensor que fez o Valencia mudar a postura e retomar ao gramado. "Ele nos disse que não estava em condição de jogar, mas que entendia que devíamos continuar jogando ante a possível punição", revelou Gracia, que acabou substituindo o jogador. "Voltamos com a intenção de conquistar a vitória, com mais um motivo para lutar por ela. O árbitro não teve nenhum registro do que aconteceu, ele não ouviu nada. Diante dessa situação, ele se viu obrigado a dar continuidade ao jogo. Lamentamos muito esta situação e aproveitamos para condenar o racismo."

O Valencia voltou com a camisa de Diakhaby no banco e buscando uma virada para dedicar ao defensor. O jogo estava 1 a 1. Mas, num dia em que mais uma vez o futebol foi derrotado, o resultado de 2 a 1 para o Cádiz não teve importância mediante o ato infeliz e reprovável de Juan Cala.

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