Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Artilheiro, Gabriel quer se consolidar como ídolo santista

Título paulista pode confirmar atacante como sucessor de Neymar

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2016 | 07h00

Gabriel está na melhor fase de sua carreira. Nome certo para a Olimpíada, o atacante de 19 anos foi convocado pela seleção principal pela primeira vez neste ano e está na pré-lista da Copa América do Centenário divulgada ontem. No Campeonato Paulista, roubou o trono de Ricardo Oliveira como artilheiro do Santos até agora com sete gols. Com o título paulista, quer provar que é mesmo o sucessor de Neymar.

Essa ascensão significa também declarações muito bem estudadas, nada de polêmica. “É uma semana decisiva. Tentar fazer um bom placar no primeiro jogo, trabalhar bem a bola. Todo mundo sabe a característica deles. Temos de marcar e colocar o nosso futebol em prática”.

Às vezes, ele escorrega. Depois do jogo contra o Capivariano admitiu que havia forçado um cartão amarelo para cumprir suspensão e não correr riscos nas fases seguintes. “Ele (juiz) não dava cartão de jeito nenhum. Reclamei mais forte. Claro que isso não é da minha pessoa, mas é o futebol. Faz parte”, justificou. Acabou levando um leve pito dos assessores por causa da “sinceridade”.

Descoberto por Zito, bicampeão mundial com a seleção brasileira, o atacante teve um início profissional fulminante. Aos 16 anos, tinha uma multa rescisória de R$ 131 milhões – a de Neymar, por exemplo, era de R$ 183 milhões. Em 2014, os 21 gols que anotou em 56 jogos deixaram no banco o badalado Leandro Damião, contratado por R$ 42 milhões.

A trajetória de Gabriel não foi só ascendente e ele nem sempre foi unanimidade. Depois de ter sido convocado para o Campeonato Sul-Americano sub-20, no início de 2015, Gabriel teve sua preparação física prejudicada por não ter feito a pré-temporada e perdeu espaço.

O técnico Enderson Moreira criticava o seu “estrelismo” e reclamava de falta de comprometimento tático. Também incomodava o treinador a exposição que Gabriel tinha na mídia, os topetes e as roupas chamativas. “Alguns atletas se acham mais do que são”, declarou. Essa foi a entrevista que definiu a saída de Enderson – a diretoria ficou ao lado do jogador e decidiu dar uma oportunidade ao auxiliar Marcelo Fernandes.

Mesmo assim, Gabriel foi reserva de Robinho e teve poucas oportunidades. No final do ano passado, retomou o viés de alta. Em 143 jogos pelo Santos, já alcançou 52 gols. “As pessoas veem cabelo diferente e tatuagem e acabam tachando, mas sou tranquilo. Não me incomodo mais”.

Ajudam a compor essa imagem de marrento as reclamações acintosas, como um lance em que xingou o atacante Alecsandro após uma falta na semifinal. O palmeirense fez o gesto característico pedindo “menos”. Na decisão de hoje, promete manter a calma. “Esperamos segurar a pressão. Eles têm de vir para cima porque estão jogando em casa. Temos de esquecer o segundo jogo”.

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