Gallo pode sair do Santos no domingo

Se o presidente Marcelo Teixeira quisesse se eximir de culpa pela desclassificação do Santos na Copa Libertadores da América, com a derrota por 2 a 0 contra o Atlético-PR, quarta-feira à noite, na Vila Belmiro, e ?jogar? para a torcida, teria demitido o técnico Alexandre Gallo - saiu de campo sob vaias e sendo xingado - ainda nos vestiários. Mas, o dirigente preferiu não falar sobre o assunto quando procurado pelos jornalistas no final do jogo e provavelmente adiou a sua decisão para domingo. Se o time não ganhar do Fortaleza, no Ceará, completará cinco resultados negativos seguidos, distanciando-se dos líderes do Campeonato Brasileiro. Já era madrugada de quinta e muitos torcedores ainda estavam no estádio quando Gallo passou dos vestiários para a sala de entrevistas. Do lado de fora, uns torcedores gritavam "fora, Gallo" e outros "Leão, Leão". Quando lhe foi perguntado se teria uma conversa com o presidente do clube para saber se seria mantido, foi direto na resposta. "Não há necessidade de conversa. A resposta quem dá é ele e não eu." Durante a entrevista, Gallo assumiu a responsabilidade pelo fraco desempenho do time e pela derrota, mas disse também que alguns jogadores não se empenharam como deveriam. "A marcação foi frouxa, dando espaço de três, quatro metros para os adversários." E acrescentou que "jogador frio não serve para o meu time". Também admitiu fazer um remanejamento no grupo para o restante do Campeonato Brasileiro e para a Copa Sul-Americana, o que implicará na dispensas de jogadores que não estão sendo utilizados e de outros que foram contratados recentemente e não corresponderam, como o goleiro colombiano Henao e o meia Tcheco, substituído aos 20 minutos do primeiro tempo por Fabiano, no jogo de quarta-feira. Sobre os desfalques de Robinho e Léo, convocados para defender a seleção brasileira na Copa das Confederações, Gallo preferiu não fazer críticas. "Parreira procura fazer o seu trabalho da melhor maneira e a gente já sabia que íamos ficar sem os dois. Poderíamos ter vencido lá", disse, referindo-se à derrota por 3 a 2 para o Atlético-PR, na Arena da Baixada, quando o Santos jogou completo e o adversário teve um jogador expulso aos 26 minutos do primeiro tempo. Ele lamentou apenas as ausências de Giovanni e Paulo César porque fez a preparação de dez dias para o jogo de volta com os dois no time. Sobre os gritos da torcida pedindo a sua saída e a volta de Leão, Gallo procurou demonstrar serenidade. "Isso não vai me incomodar. Assim como estava preparado para os elogios, agora estou preparado para as vaias da mesma torcida?. O capitão Ricardinho, que teve atuação apagada na derrota que determinou a eliminação do Santos na Libertadores, foi o único jogador a dar entrevista após o jogo. Rebateu as declarações de Gallo de que alguns jogadores não se aplicaram em campo. "Não faltou disposição e não adianta a gente ficar achando argumentos para a eliminação. Temos que reagir como clube grande. A equipe do Santos para o jogo era aquela e no futebol não existe o "se". Por isso, não podemos lamentar a ausência deste ou daquele jogador, até porque perdemos com o time completo no Paraná". Quando perguntado se Gallo deveria ou não ser mantido no cargo ou se o clube deveria contratar Leão, como a torcida pedia, Ricardinho não demonstrou o menor interesse em defender o técnico. "Nesse momento de tristeza, ainda não parei para pensar nisso".

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