Gamarra diz que não está mais lento

Ninguém pode acusar Gamarra de corpo mole. Tudo que era preciso fazer para jogar o clássico contra o Corinthians, ele fez. Assinou o contrato na segunda-feira. Apresentou-se no dia seguinte. Treinou quarta-feira e, no dia seguinte, participou do treino coletivo entre os reservas, viajou em seguida para Assunção, pegou o visto e retornou a São Paulo na sexta-feira à noite. Hoje de manhã, já estava treinando com o restante da equipe. Logicamente, com toda essa maratona, sua preparação para o clássico contra o Corinthians não foi a ideal. Com Nen e Leonardo Silva, os zagueiros titulares, Gamarra jogou menos de uma hora, num treino com times de 14 jogadores cada. Mas isso não importa. "Entrosamento é fundamental, mas a gente compensa com conversa e disposição", disse Gamarra. Sobre esquema de jogo, Gamarra não se intromete. Deixou o técnico Paulo Bonamigo à vontade para optar por uma linha de dois ou três zagueiros. "Para mim, é igual. Deixa o técnico escolher." Fisicamente, admite, não está 100%. "Voltei a treinar há duas semanas. Mas continuo com o mesmo estilo. O segredo é o posicionamento e tentar se antecipar a jogada. Não é verdade que estou mais lento. Jogava no futebol italiano. Lá tem de correr o tempo inteiro", referindo-se aos tempos de reserva no Inter de Milão. Estrear num clássico, justamente contra o maior rival do Palmeiras, não assusta Gamarra, que teve uma ótima passagem no Corinthians em 1998 e 1999. "É uma partida sem favoritos, um clássico, um jogo em que todos os atletas ganham uma motivação a mais. Quando eu estava no outro time era do mesmo jeito!", relembra. Gamarra evitou fazer comparações ao Palmeiras e Corinthians de 1999 e de 2005. "Era uma outra realidade. Naquela época, havia mais jogadores consagrados. Hoje mudou muito. Os times brasileiros estão com jogadores mais jovens", justificou. "Hoje, Palmeiras e Corinthians estão procurando se firmar no Brasileiro. O clássico vai ser um jogo disputado e vai ganhar quem entrar mais concentrado, quem errar menos. Clássico é sempre assim", definiu. Gamarra não acredita que uma eventual derrota neste domingo provoque a saída de Bonamigo. "Isso não existe. Não posso acreditar que um jogo define a queda de um técnico. Ainda mais um clássico. Ele precisa de tempo para fazer seu trabalho", sentenciou. Mas Gamarra sabe a força da rivalidade entre as duas equipes. Nas suas declarações, o experiente jogador teve cuidado ao se referir ao seu passado corintiano. A cautela era tanta que, hoje, Gamarra evitava até falar o nome do Corinthians. Referia-se apenas como o ?outro time?. Perguntado como seria reencontrar com a torcida corintiana, Gamarra disfarçou: "Não sei o que vou sentir! É uma coisa de momento."

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