Gamarra não faz falta no Palmeiras

Gamarra passou os 90 minutos do jogo deste domingo sem fazer uma falta sequer ? e isso não é nenhuma novidade. Apesar de ser zagueiro, o paraguaio tem a incrível marca de ter feito apenas cinco faltas em seus 17 jogos pelo Palmeiras. Cartão amarelo então, nem pensar.Mesmo com 34 anos, Gamarra nunca chega atrasado na jogada. Assim, não faz falta. Assim, não é advertido pelos árbitros.Nesta entrevista exclusiva, o paraguaio, que pensa em morar no Brasil após encerrar a carreira, conta à Agência Estado o que é necessário para ser um zagueiro que joga limpo, na bola, e ainda sabe sair jogando.Agência Estado - Qual a maior qualidade que um beque deve ter?Gamarra - É a inteligência, a rapidez de raciocínio para se posicionar bem e prever onde a bola vai chegar. O posicionamento é fundamental.AE - É por isso que você praticamente não faz faltas, já que nunca chega atrasado?Gamarra - Sim. É uma questão também de aliar preparo físico e técnica.AE - Na maioria dos jogos pelo Palmeiras você jogou na sobra. Isso também explica o baixo número de faltas?Gamarra - Faço o que o treinador me pede. E nem sempre fico na sobra. Muitas vezes, é mano a mano. Se o atacante adversário cair pela esquerda, o Daniel não precisa correr atrás dele, eu mesmo saio na marcação. É tudo uma questão de entrosamento e conversa.AE - Dizem que os zagueiros crescem de produção quando jogam ao seu lado. O próprio Daniel andava em baixa no Palmeiras. O que você acha dessa afirmação?Gamarra - Acho que quem ajuda é o técnico, é o time inteiro. O que eu tento fazer é passar segurança, conversar bastante. Se o jogador se sente seguro, ele cresce. E se está no Palmeiras, é porque tem qualidade.AE - Qual o melhor parceiro que você já teve?Gamarra - O Ayala, na seleção paraguaia.AE - E aqui no Brasil?Gamarra - Sempre tive ótimos parceiros. Fica até difícil apontar um. Nunca joguei em time ruim, que luta para não ser rebaixado. Sempre joguei em times bons, o Inter, o Corinthians, o Flamengo. Fui campeão em todos. Só falta o Palmeiras.AE - E é possível esse time vencer o Brasileirão?Gamarra - Vamos incomodar bastante. Ainda é difícil falar em título. Mas nenhum time despontou como grande favorito. Estamos no páreo.AE - Você raramente se livra da bola, dando chutões para a lateral, e gosta sempre de sair jogando. De onde vem essa técnica, tão incomum para um zagueiro?Gamarra - Eu comecei jogando no meio-de-campo. Era volante. Minha função era desarmar e passar a bola para os meias. Depois que fui jogar na zaga, tudo ficou mais fácil, já que olho o jogo de trás, vejo tudo.AE - Quem te transformou em zagueiro foi o Carpegiani, não?Gamarra - Sim, foi ele. O Carpegiani foi muito importante na minha carreira. Trabalhei com ele primeiro no Cerro Porteño e depois por três anos na seleção paraguaia.AE - Tem diferença entre marcar um atacante brasileiro, um paraguaio, um europeu?Gamarra - Tem, bastante. O brasileiro inventa, dribla, pedala. O europeu joga mais na base da força. Bota a bola na frente e sai atropelando.AE - E quem é mais difícil deter, um brasileiro ou um europeu?Gamarra - Um brasileiro. Marcar trombador é mais fácil. Difícil é tentar parar uma pedalada.AE - Apesar disso, você sempre fez sucesso aqui no Brasil. Por quê?Gamarra - Pelo profissionalismo. Trato de trabalhar muito e aparecer pouco. Por isso, caí na graça da torcida.AE - E na Europa, por que não deu certo?Gamarra - Tive três anos na Inter. No primeiro, o Flamengo demorou para me liberar e, quando cheguei, o time já estava formado. No segundo, até tive algumas chances. E no terceiro, eu me machuquei num jogo das Eliminatórias e tive de ficar seis meses parado.

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