Gamarra: só um pecado, mas mortal

A faixa vermelha caía bem na camisa verde do quarto jogador a entrar em campo. Carlos Alberto Gamarra, 34 anos, o capitão palmeirense que fez sua estréia justamente contra o Corinthians, o odiado rival por quem foi campeão brasileiro em 1998, e que era ainda amado pela Fiel até segunda-feira passada, quando trocou de vez a Inter de Milão pelo Palmeiras.Posicionado como líbero, com Leonardo Silva à esquerda e Nen à direita, Gamarra era uma interrogação. Seria o mesmo zagueiro daquela época? O Gamarra que conhece os atalhos, que sempre está no lugar certo? O zagueiro paraguaio que não faz faltas, algo inédito na história do futebol mundial?Aos dois minutos, um motivo para os palmeirenses se assustarem. Um pouco perdido, não conseguiu se antecipar a Jô, que recebeu um presente de Mascherano. Sua sorte é que Jô não é Tevez. Bola fora.Daí em diante, ele orientava os companheiros, arrumava a defesa, tão desarrumada nos últimos anos, e, aos 19 minutos, mostrou seu cartão de visitas contra a conexão argentina que tentava se armar pela direita do ataque. Mascherano para Tévez, carrinho de Gamarra. De capitão para capitão.Ele foi ao ataque. Cabeceou aos 24 minutos e, no lance seguinte, acertou um belo voleio na rebatida de Gustavo Nery, após o cruzamento de Baiano. Fábio Costa defendeu. Aos 44, Mascherano tenta pelo alto e Tévez, de 21 anos, recebe e é obrigado a se render ao paraguaio de 34. ?Faltou um pouco de sorte para vencermos o primeiro tempo?, diz Gamarra, na saída.A sorte chegou aos seis minutos. Gamarra chuta, de virada, e Leonardo, com um desvio de cabeça, faz o primeiro gol. Sorte? Nem tanto. O Corinthians empata em seguida. Gamarra e companheiros estão no primeiro pau e a bola vai para Gustavo Nery empatar.Aos 14 minutos, ganha outra dividida de Tevez. Recebe falta. Dois minutos depois, corre para fazer a cobertura de Baiano. Vai à caça, mas não chega a tempo. Seu carrinho não impede o cruzamento que chega a Rosinei e ao gol. Cinco minutos depois, o zagueiro tenta sair jogando e perde a bola para Mascherano, que inicia a jogada do terceiro gol do Corinthians. Um grave erro em uma partida em que acertou muito. Com o gol, estava aberto o caminho para o que viria. Campo aberto para o Corinthians vencer fácil e iniciar um olé. E, para a briga, em que Gamarra tentou ser bombeiro.?Os jogos entre esses dois times são sempre nervosos. Muita gente perde a cabeça, sempre acontece alguma coisa?, disse Gamarra. ?Eles tiveram mais sorte nas finalizações e aproveitaram melhor os contra-ataques. Para nós, ficou difícil?.No ar, a dúvida. A falha do terceiro gol foi apenas uma exceção em sua carreira? O resto do jogo diz que sim. E os próximos poderão confirmar isso.

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