Christian Thompson/AP
Christian Thompson/AP

Gana corre risco de ser suspensa da votação para escolha da sede da Copa de 2026

Governo desmantelou a federação nacional de futebol em meio a alegações de corrupção "generalizada"

Estadão Conteúdo

07 Junho 2018 | 20h34

Gana corre o risco de não poder votar na escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, depois de seu governo ter desmantelado a federação nacional de futebol em meio a alegações de corrupção "generalizada", que envolveram o presidente da entidade, Kwesi Nyantakyi, que também é membro do Conselho da Fifa. A votação está marcada para a próxima quarta-feira, na Rússia, onde ocorre o Mundial deste ano. A expectativa é de que a federação ganesa vote em Marrocos, em detrimento da candidatura conjunta dos Estados Unidos, Canadá e México.

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O governo de Gana disse que um documentário jornalístico secreto havia exposto "fraude, corrupção e suborno generalizados" na Associação Ganesa de Futebol. E tomou "medidas imediatas para a dissolução da entidade", comunicou o Ministério da Informação, informando a Fifa e a Confederação Africana de Futebol de sua decisão.

A situação lança ao caos uma das histórias de sucesso recentes do futebol africano. Gana fez as quartas de final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e foi amplamente elogiada por essa campanha. É uma das equipes mais bem sucedidas no futebol africano, embora a seleção não tenha se classificado para o Mundial deste ano.

Mas a iniciativa do governo coloca Gana em risco de ser suspenso pela Fifa, que geralmente proíbe os órgãos nacionais de futebol de participar de jogos e encontros internacionais quando há "interferência do governo" na forma como eles são administrados.

Kwesi Nyantakyi, presidente da Associação Ganesa de Futebol e um dos inúmeros funcionários acusados de corrupção no documentário, é membro eleito do Conselho da Fifa, que se reúne a partir deste domingo, em Moscou. Ele também é o segundo mais alto funcionário do futebol de seu continente, como primeiro vice-presidente da Confederação Africana de Futebol.

O documentário alega que Kwesi Nyantakyi recebeu US$ 65.000 de repórteres disfarçados de empresários para garantir o favorecimento do presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, e de outros altos funcionários do governo, o que levaria a acordos comerciais favoráveis. O programa foi uma colaboração entre o jornalista investigativo de Gana Anas Aremeyaw Anas e a BBC.

Nana Akufo-Addo viu trechos do documentário no mês passado e pediu à polícia que investigasse Kwesi Nyantakyi por usar de forma fraudulenta seu nome. O oficial de futebol foi preso e interrogado.

 

O documentário também afirmou que os árbitros e oficiais de futebol de outros países africanos estão aceitando dinheiro dos jornalistas disfarçados, incluindo um juiz de futebol queniano que deveria trabalhar na Copa do Mundo da Rússia neste mês.

Aden Range Marwa, que seria assistente de arbitragem na Rússia, não vai mais participar da Copa do Mundo, disse a associação nacional de árbitros. Ele foi defendido pela Associação de Árbitros do Futebol do Quênia, que disse que o dinheiro - US$ 600 - "poderia ter sido entregue a Marwa para agradecer a ele por ter sido entrevistado".

 

 

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