Montagem/AFP
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Gana e Costa do Marfim lutam por título e para honrar reputação

Consideradas forças do continente, equipes decidem Copa Africana das Nações para comprovar que de fato são potências do futebol

O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 17h00

Costa do Marfim e Gana decidem neste domingo a Copa Africana das Nações e têm a grande chance de coroar com título a fama de potência do continente que ambas já carregam. Ambas possuem jogadores em grandes ligas europeias, disputam Copas do Mundo com frequência e sempre são favoritos ao torneio continental, mas falta ainda comprovar essa fama, algo que somente a final em Bata, na Guiné Equatorial, pode trazer.

A chance de garantir a taça ajudará as seleções a minimizarem as seguidas decepções na Copa Africana. Curiosamente, nem mesmo os maiores craques da história dos países finalistas conseguiram assegurar o feito. O máximo foi o vice-campeonato. O marfinense Didier Drogba passou perto duas vezes - em 2006 e 2012 - e o ganês Abedi Pelé viu a façanha escapar nos pênaltis, em 1992, justamente para a Costa do Marfim.

A revanche daquela final, aliás, motiva Gana entrar em campo neste domingo. A equipe não ganha a competição desde 1982 e chega longe na campanha mesmo liderada por um técnico contestado. O ex-Chelsea Avram Grant assumiu o cargo cercado de desconfianças por questões religiosas. O treinador é judeu e comanda um país cuja a maioria da população é muçulmana e não reconhece o estado de Israel, onde nasceu. A grande aposta da equipe é André Ayew, artilheiro do campeonato com três gols e filho do ídolo Abedi Pelé.


Campeã pela última vez em 1992, Costa do Marfim tenta afastar a fama de 'amarelona'. Em 2012 o título escapou nos pênaltis para a surpreendente Zâmbia depois do empate em 0 a 0. Como a equipe fechou a campanha sem tomar um gol sequer, a frustração foi grande. Agora, craques do futebol inglês como Gervinho, Bony e Yaya Touré fazem o time do técnico francês Herve Renard ser novamente o grande favorito. 

Os finalistas chegam para o jogo depois de evoluírem ao longo da competição. Na primeira fase, o baixo nível técnico da Copa Africana fez a competição ver 13 das 24 partidas terminarem empatadas e por pouco Gana e Costa do Marfim não voltaram mais cedo. A partir das quartas de final, porém, as equipes engrenaram e fizeram seis gols em dois jogos.

Na listagem de títulos da competição, Gana pode chegar ao quinto e se isolar na vice-liderança. O Egito lidera com sete e sequer se classificou para a atual disputa.  Costa do Marfim tem apenas uma taça. O campeão não vai assegurar vaga na Copa das Confederações da Rússia, em 2017, porque uma nova edição da Copa Africana será realizada no começo do mesmo ano, em sede ainda indefinida.

PROBLEMAS

A decisão é ainda o último ato de um torneio conturbado. Guiné Equatorial assumiu a organização às pressas depois de Marrocos desistir por medo da epidemia de Ebola. O país ainda teve problemas de segurança durante a semifinal entre o time da casa e Gana, quando torcedores invadiram o gramado, e precisou lidar com a falta de público e estrutura. O governo chegou a distribuir bilhetes para poder ocupar os estádios e a Confederação Africana de Futebol (CAF) mudou o local de duas partidas porque os gramados não estavam em condições.

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