Marcelo Cortes/Flamengo
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Robson Morelli
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Ganhar a Libertadores vai salvar a lavoura para Palmeiras e Flamengo nesta temporada

Embora os rivais da partida em Montevidéu sejam os mais badalados no Brasil e da América do Sul, eles não ganharam muitas coisas no ano; o time do Rio ficou com o Estadual, o de São Paulo nem isso

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2021 | 20h00

Ganhar a Libertadores vai salvar a temporada tanto do Palmeiras quanto do Flamengo. O time do Rio ficou com o Campeonato Carioca neste ano e mais nada. O rival paulista nem isso. Ficou pelo caminho no Estadual, Copa do Brasil e não vai ganhar o Brasileirão, na iminência de ficar em Minas Gerais. Dessa forma, o torneio sul-americano se apresenta como a salvação da lavoura num ano de poucas colheitas.

Essas duas equipes se transformaram nas mais badaladas do futebol brasileiro, antes de o Atlético-MG se juntar a eles. Há uma série de fatores que deixam Palmeiras e Flamengo com confiança para ficar com a taça em Montevidéu. Qualquer um que aponte favoritismo, pode quebrar a cara. Não há como definir um time melhor do que o outro nesta decisão única de Libertadores.

O passado vai continuar no passado, nas lembranças e empolgação natural dos torcedores. As apresentações desta temporada, de todas as disputas, também não vão entrar em campo. Servem para abastecer as informações e dar alegria aos seguidores dos dois lados, palmeirenses e flamenguistas, que já estão na capital uruguaia.

Em campo, o vai contar é a condição dos 11 de cada lado, da inteligência de seus treinadores, Abel Ferreira e Renato Gaúcho, da técnica, da condição emocional, da vontade de fazer alguma coisa que não esteja no roteiro, da parte física, da disposição... Aquela conversa dos detalhes de um jogo de futebol pode ser muito bem assimilada nesse cenário, onde os rivais se equivalem, estão na mesma prateleira e são donos de elencos que já se provaram eficientes. As boas histórias de superação e boas partidas são contadas dos dois lados. Daí a certeza de que será uma final digna de Palmeiras e Flamengo.

As torcidas estão em Montevidéu, nos bares da cidade, e quem não foi para o Uruguai fez sua despedida em grande estilo. É lindo ver a fé do torcedor. O futebol move esse país em momentos difíceis, como agora. Pelas fontes oficiais da Conmebol, os flamenguistas compraram mais ingressos e se organizaram para chegar antes à capital uruguaia. Não se sabe se estarão no estádio em maior número. Me falaram que a quantidade de ingressos para os dois clubes foi a mesma. 

Uma condição dessas duas equipes finalistas da Libertadores também nos faz crer que elas vão dominar o futebol brasileiro e sul-americano por muito mais tempo: a boa gestão. Não são fórmulas iguais, mas é inegável que Palmeiras e Flamengo estão sendo bem administrados. O clube do Rio deve fechar o ano com receita de R$ 1 bilhão. Nada mal para uma temporada em meio à pandemia.

O Palmeiras caminha na mesma toada, com seus patrocinadores e com a volta do torcedor ao Allianz Parque. Não deve faturar tanto como o Fla, mas tem suas contas bem organizadas. Isso ajuda na hora de contratar novos jogadores que possam fortalecer o time e vender produtos da marca, motivar a torcida para que ela se torne cada vez mais consumidora do futebol, das partidas, das conquistas. A tristeza virá para o perdedor, mas essa condição não será alterada.

Palmeiras e Flamengo estão nesse caminho há alguns anos, com o pé no chão e na estrada, sem se comprometer mais do que pode arrecadar e ganhando competições ou ao menos se colocando em possibilidade de ganhá-las. Há muito a se fazer ainda, mas eles estão tentando. O ano é magro em conquistas, mas os dois rivais são, por exemplo, os últimos campeões da Libertadores. Ganhar é ótimo, mas se colocar em condição de brigar pelos títulos é bom também. E, independentemente do resultado do jogo deste sábado, as duas equipes vão continuar dando as cartas no cenário nacional, com bons jogadores, boa organização e com a torcida feliz e entusiasmada.

 

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