Ganso, ainda

Paulo Henrique de Chagas Limas, o popular Ganso, festejará, em outubro, 26 anos de idade. Um jovem para a vida, um rapaz com muito ainda para aproveitar, aprender, ensinar. Na profissão de jogador de futebol, entra na fase de maturidade, aquela na qual, em geral, os grandes talentos alcançam os resultados mais expressivos. Ou, no mínimo, se consolidam como referência nas respectivas equipes.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 03h00

Ganso talvez não siga esse roteiro, que parecia traçado para si quando despontou como destaque da versão 2009/2010 dos Meninos da Vila. Passado período extraordinário, de encantar plateias, técnicos e críticos, além de conquistas - o auge foi a Libertadores de 2011 -, convive mais com interrogações e dúvidas do que com certezas. Empacou na bifurcação entre o caminho bem pavimentado, que conduz ao estrelato, e o acidentado, que desemboca em lugar-comum. 

Ganso é uma incógnita difícil de desvendar. Ao contrário de Neymar, companheiro e compadre no Santos e hoje um dos principais jogadores do mundo. O atacante fatura, dentro e fora de campo, e não sai das manchetes, nem que seja por confusões com a transferência para o Barcelona, dois anos atrás. O meia ganha espaço por oscilações intermináveis e, agora, de novo por reações negativas no São Paulo.

Ganso é o jogador “mas”. É bom de bola, mas não se firma; tem visão de jogo, mas às vezes some; tem técnica acima da média, mas nem sempre a usa da melhor forma; seria o camisa 10 ideal para a seleção, mas não tem uma sequência entusiasmante; tem pontaria, mas chuta pouco. E assim vai, só na base do “mas”.

O Morumbi surgiu como porto seguro para Ganso, quase três anos atrás, depois de longo e desgastante processo de separação com o Santos. Na época se falou que havia chegado o momento de deslanchar com a mudança de ambiente. Longe da pressão na Baixada e fora da briga entre o ex-patrão e parceiros, ficaria à vontade para liberar a vocação para craque. A casa tricolor lhe daria oportunidade de reconquistar espaço na seleção e ser um dos nomes no Mundial de 2014. Nada.

Hoje ainda se discute se Ganso vai se impor, se enfim assumirá a condição de regente da equipe, se voltará a ser fator de desequilíbrio. Mais: não se descobriu qual a melhor faixa para atuar em campo, em que setores a habilidade e categoria vão aflorar. Ou seja, há especulações em torno de um profissional que deveria ter rumo decidido há muito tempo. O boleiro que destoa dos demais aparece logo, é precoce, engata uma quinta e ninguém o segura.

Se houver lengalenga, significa que o astro não é tão magnífico quanto se supunha. Talvez Ganso engrosse o dicionário dos atletas com enorme potencial que, por razões variadas, ficaram aquém das expectativas. Um indício seria o desejo, não escancarado, de o São Paulo cedê-lo em breve para recuperar ao menos o que investiu, sem atualização monetária. Ora, não se abre mão de fora de série, a não ser por oferta tentadora. Não é o caso.

Ganso sente a desconfiança e, como tem todo jeito de boa pessoa, isso o afeta. Por isso a atitude mal humorada e deselegante de não cumprimentar o técnico Osorio ao ser substituído no domingo? Pode ser complicado saber o que se passa na cabeça das pessoas. Desperdício, se ele não superar o “mas”, pois é dos meias mais clássicos que cresceram por aqui nas últimas décadas. Talento não é tudo, se não vier acompanhado de atitude, fibra, resolução. 

Ainda é possível, rapaz!

Vender o almoço. O ASA já eliminou o Palmeiras uma vez na Copa do Brasil. Pode repetir a dose agora, após empate de 0 a 0 no Allianz Parque. Com o cinto apertado, o clube alagoano abriu mão de atuar em casa e mandará o jogo de hoje em Londrina. Em troca, receberá dinheiro que ajudará a pagar parte das dívidas. Na teoria, melhor para o Palmeiras, que terá público a favor, como no duelo com a Ponte pelo Brasileiro, realizado dias atrás em Cuiabá.

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