Garanhuns abre guerra contra o Palmeiras

O Palmeiras vai encontrar um clima totalmente adverso para a partida deste sábado, contra o Sport, em Garanhuns. A população local ficou muito irritada com as declarações que o goleiro Marcos deu durante a semana, comparando o gramado do estádio Gigante do Agreste a um pasto e dizendo que para se jogar à noite seria necessário auxílio de vaga-lumes.Nesta sexta-feira, enquanto o Sport realizava o último treinamento no Gigante do Agreste, o goleiro do Palmeiras foi xingado diversas vezes pelos torcedores que foram ao estádio. Alguns desfilaram até com faixas ofensivas ironizando a postura de Marcos e provocaram risos do técnico Helio dos Anjos, da equipe pernambucana.Enquanto isso, homens cedidos pela Prefeitura de Garanhuns corriam para colocar em ordem as instalações do estádio, que pertence ao clube Sete de Setembro. "O Marcos ofendeu o povo garanhuense. Mas nada do que falou será capaz da arranhar a imagem da cidade, que tem sido noticiada para o mundo inteiro. Se não está nas melhores condições, nosso campo tem totais condições de receber uma partida desse importância. Sei que o povo é pacifico, mas não será nada fácil para o Palmeiras", afirmou Silvino de Andrade Duarte (PMDB), prefeito de Garanhuns desde de 1997."Ainda bem que o Marcos não veio para cá hoje. Certamente não iria conseguir dormir. É uma pena que o povo de São Paulo tenha uma imagem tão distorcida do povo nordestino", lamentou Joel Vianei, bombeiro que mora em Lajedo, cidade distante 30 quilômetros de Garanhuns.Realidade - No entanto, uma volta rápida pelo estádio, mostra que muita coisa ainda precisa ser feita. No local reservado ao acesso do público, restos de terra utilizada na reforma misturam-se a lixo e poças d?agua. A cerca que protege os torcedores que ficarão nas numeradas não tem sequer um metro de altura.O vestiário do Palmeiras está imundo, coberto pela poeira e com apenas um banco de concreto para os jogadores se trocarem. Dois funcionários destacados para colocá-lo em condições de uso trabalham sem parar.A condição do gramado, que tem 105 metros de comprimento por 65 de largura (o Parque Antartica tem 105 por 71,5 metros), é razoável. "Demos apenas apoio logístico para que o jogo fosse disputado aqui", disse o prefeito de Garanhuns. Mas dirigentes do Sete de Setembro garantem que a prefeitura investiu R$ 60 mil para a recuperação de banheiros, instalações de catracas, construção de muros e pagamento de dois agrônomos que cuidaram do gramado. O Sport também colaborou, pagando R$ 13 mil pelo aluguel de arquibancadas móveis que foram instaladas às pressas no Gigante do Agreste, aumentando sua capacidade em 1.500 lugares.A Polícia de todo estado foi mobilizada. Pelo menos 150 homens da tropa de choque serão deslocados de Recife até Garanhuns, uma viagem de 220 quilômetros. Irão se juntar a 180 policiais locais, que atuaram tanto dentro quanto fora do estádio. "A cidade não respira outra coisa que não essa partida", revelou o palmeirense Flávio José Gaudêncio, que nesta sexta-feira corria para comprar um dos 2 mil ingressos vendidos em Garanhuns. Ele saiu em defesa do goleiro Marcos. "Tenho que reconhecer que para um jogador que já atuou até em Tóquio, não será fácil se adaptar às condições que temos aqui."Para José Cardoso Filho, que vai acompanhar o Sport pela primeira fez na Série B, na partida deste sábado, o importante é brincar com os torcedores do rival Santa Cruz. "Fui muito humilhado nos últimos anos", contou, mostrando as mensagens com gozações que ainda guarda em seu celular.

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