Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Gareca chega ao Palmeiras com o rótulo de ser especialista na base

Treinador argentino assinou contrato e deve ir para Araraquara acompanhar confronto contra o Figueirense

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2014 | 07h59

SÃO PAULO - O Palmeiras saiu da mesmice dos treinadores brasileiros e resolveu apostar em Ricardo Gareca, 56 anos, que é um dos melhores da Argentina, para construir e comandar um time sem muitos recursos. Pelo menos na teoria, o que um tem o outro precisa e vice-versa. O acordo entre o técnico e o clube foi fechado quarta-feira à noite.

Gareca receberá R$ 200 mil mensais fixos, mais bônus por metas conquistadas e trará dois auxiliares – Sérgio Santin (auxiliar técnico) e Néstor Bonillo (preparador físico). O treinador será apresentado sexta-feira e ele deve ir para Araraquara nesta quinta-feira, onde a equipe encara o Figueirense.

Nesta quarta-feira, Gareca chegou ao Brasil para conhecer o clube e assinar contrato. A sua mulher, que não queria vir para o País, parece ter sido convencida. "Minha família não tem nada a ver. Ela me apoia em qualquer decisão que eu tomar e vão estar comigo quando eu decidir", disse.

Após se aposentar como jogador, Gareca assumiu o Talleres em 1996 e já conquistou o título da Série B do Campeonato Argentino e, em 1999, foi campeão da Conmebol. Depois teve passagens por Independiente, Colón, Quilmes, Argentinos Juniors, América de Cali e Santa Fé (ambos da Colômbia) e Universitário, onde foi campeão peruano em 2008.

Em 2009, quando assumiu o Vélez, ele pegou um time em reformulação e sem dinheiro para grandes investimentos. O ponto principal e fundamental para conquistar a diretoria alviverde é o fato dele trabalhar muito bem com as categorias de base e ter a capacidade para montar elenco competitivo sem grandes recursos.

No Vélez, foi campeão argentino em 2009 e vice em 2010. No ano seguinte, ficou em terceiro na Libertadores e mais uma vez conquistou o nacional. O casamento com o time argentino ficou estremecido por culpa de um clube brasileiro. Na Copa Sul-Americana do ano passado, ele foi surpreendido e eliminado pela Ponte Preta.

No Palmeiras, a maioria aprovou a contratação, mas alguns desconfiam de que ele não conhece o futebol brasileiro. "Conheço o suficiente e terei tempo para conhecer mais", avisou.

Além da questão financeira, já que no Racing ele ganharia cerca de R$ 160 mil, outro ponto determinante para aceitar o convite do Palmeiras é a vontade de brilhar também no Brasil. "O futebol brasileiro é muito competitivo e seria importante e muito bom para mim trabalhar aqui", disse o treinador.

SEM PRESSA

A diretoria não tem pressa para ver Gareca no banco. Alberto Valentim será o treinador hoje, contra o Figueirense, e também no domingo, contra o Chapecoense. Gareca deve estrear na quarta, contra o Botafogo, mas não está descartada a possibilidade dele começar a comandar a equipe só depois da Copa do Mundo. Durante a Copa, ele terá tempo para implementar seu estilo de jogo.

TÉCNICOS ESTRANGEIROS CAMPEÕES PELO PALMEIRAS

Humberto Cabelli (uruguaio)

Treinou em 1930 e de 32 a 35. Fez 105 jogos e venceu os Paulistas de 32, 33 e 34 e Rio-SP de 33. 

Ventura Cambón (uruguaio)

Chefe em 1935/36, 38/39, 44/52 e 54/57. Fez 248 jogos e conquistou o Paulista de

44 e 50, Copa Rio 51 e Rio-SP 51.

Filpo Núñez (argentino)

Trabalhou entre 1964/65, 68/69 e 78/79. Foram 154 jogos no total e ele conquistou o Rio-São Paulo de 1965.

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