Ricardo Saibun/Divulgação<br>
Ricardo Saibun/Divulgação<br>

Garotada mostra que tem espaço entre os marmanjos da Série A

Revelações dos grandes, Gabigol, Auro, Malcom, Nathan, Mayke, Lucas Silva, Carlos, Luan, entre outros, se firmam em suas equipes

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 08h12

O Campeonato Brasileiro está repleto de jogadores experientes, muitos poderiam até estar jogando no futebol europeu. Chama a atenção, no entanto, a boa safra de garotos que desponta em times grandes. A maioria dos clubes tem em seu time titular um jovem revelado na base em evidência, fazendo marmanjos se desdobrar e correr para jogar. O líder Cruzeiro é um bom exemplo de que apenas nome não ganha vaga entre os 11. O lateral-direito Ceará ganhou uma placa pelo centésimo jogo com a camisa do líder da Série A. Na verdade, completou a marca por "quebrar galho" do lado esquerdo, já que Mayke ganhou de vez a posição na direita e vem sendo uma boa válvula de escape na criação das jogadas ofensivas. O garoto veio das bases.

A aposta nos jogadores das categorias inferiores não para por aí. No meio de campo do Cruzeiro, o volante Nilton agora disputa vaga com Henrique, atualmente o titular, porque Lucas Silva virou unanimidade entre os membros da comissão técnica. O meia-atacante Alysson, de 21 anos, e que não joga nesta rodada por causa de uma contusão, também se firmou nos últimos jogos com passes e gols importantes.

O rival Atlético-MG não fica atrás e também resolve buscar em suas categorias de formação peças de destaque. O jovem centroavante Carlos foi promovido com a árdua tarefa de disputar com Jô, então atacante de seleção brasileira, Diego Tardelli e o reserva André um lugar na equipe. Em poucas partidas e treinos, colocou todo mundo no bolso e mostrou que a vaga é sua.

Após dois gols no clássico diante do Cruzeiro, no fim de semana, vencido pelo Atlético por 3 a 2, tirá-lo do time agora ficou praticamente impossível. Jô e André já começam a se acostumar com o banco de reservas e Tardelli, parceiro de Neymar na seleção de Dunga, foi deslocado para a armação. Carlos tem tanto prestígio que o clube mineiro correu, ampliou seu vínculo até 2018 e estipulou multa rescisória de 10 milhões de euros (R$ 30,9 milhões) no contrato.

EM SÃO PAULO

O futebol paulista chega ao início do segundo turno do Nacional também com alguns moleques em evidência nos quatro grandes, uns por necessidade, outros por méritos dos jogos por não terem sentido o peso da camisa. Eles causam espanto até mesmo em dirigentes e torcedores. O maior exemplo vem do Santos. Gabriel, o Gabigol, tinha a ingrata missão de brigar por espaço com os renomados Robinho e Leandro Damião, além do regular Thiago Ribeiro. Aos 18 anos, parecia fadado a entrar por poucos minutos num jogo aqui, outro ali. Mas a descoberta de Zito resolveu trilhar o caminho de Robinho e Neymar: entrar e não sair mais do time.

O novo menino da Vila vem sendo o diferencial da equipe, com gols importantes e assistências. Ele fez o Santos se mexer para não perdê-lo precocemente. Gabigol ganhou um novo contrato nesta semana, de cinco anos, um belo reajuste salarial, de R$ 30 mil mensais para R$ 233 mil, e multa rescisória de R$ 50 milhões de euros (R$ 154,6 milhões). O Santos ainda vem apostando em Zeca na lateral-esquerda e em Alison no meio.

No Corinthians, o jovem Malcom era apenas um figurante do elenco há alguns meses. Mas a saída de Romarinho e alguns desfalques obrigaram Mano Menezes a escalá-lo. Bastaram poucos jogos e o menino já virou titular. A bela apresentação no clássico com o São Paulo o garantiu como novo companheiro de Guerrero na frente. Malcom tem tudo para se firmar. A diretoria do Corinthians já corre para aumentar seu salário e ampliar o tempo de contrato, também com multa rescisória milionária. Outros jovens como ele que aguardam chances são o zagueiro Pedro Henrique e o lateral-esquerda Guilherme Arana.

O São Paulo, acostumado a revelar bons meninos, segue o mesmo caminho. Tem no grupo o garoto Ademilson, que já é artilheiro da seleção Sub-20 de Alexandre Gallo e ainda busca mais espaço com Muricy Ramalho, e agora vê Auro despontar como futuro grande lateral-direito. O jovem era quarta opção do setor, atrás de Douglas (vendido ao Barcelona), Paulo Miranda e Luis Ricardo, e precisou apenas de um jogo para provar que a vaga é sua. Muricy não temeu escalar o menino e agora o vê receber elogios a cada apresentação.

NECESSIDADE
No Palmeiras, a molecada vem atuando na fogueira, pela péssima campanha do time no Brasileirão, mas não decepciona. Nathan mostra que é uma boa opção para a zaga. Victor Luis se firma na lateral-esquerda, até marcando gols, e Renato vem atuando como segundo volante com frequência, apesar de o Palmeiras contar com diversas opções para o setor.

Os outros clubes grandes do País também apostam suas fichas numa molecada boa de bola, resgatando um caminho do futebol brasileiro de décadas atrás. No Sul, Luan se firma no meio e vira aposta do técnico Felipão no Grêmio, e Valdivia é uma espécie de talismã de Abel Braga no Internacional. Ambos vieram das bases.

O Atlético-PR tem nos pés do centroavante Douglas Coutinho uma grande esperança de gols. O jovem vem fazendo gols bonitos e ganhando o coração da torcida. O Coritiba ainda aposta no veterano Alex, mas Dudu vem sendo uma boa opção na ausência do experiente camisa 10. No futebol carioca, que costuma investir pesado em contratações, alguns garotos também andam aparecendo. No Botafogo, até outro dia, o meio-campo era comandado por Daniel. O meia, que fez o clube abrir mão de Jorge Wagner, contudo, sofreu grave lesão no joelho e só volta em 2015.

No Flamengo, o zagueiro Samir, de 19 anos, é o xodó da torcida e do técnico Luxemburgo. O garoto, apesar da pouca idade, impõe respeito e não se deixa intimidar pelos mais experientes. Já o Fluminense, repleto de estrelas, quase não utiliza seus meninos de Xerém. Mas quando o faz, não se arrepende. Kenedy, sempre que entra no ataque do time, mostra bom desempenho, assim como Biro Biro e o volante Rafinha. Na defesa, Elivélton se firma pela força nos desarmes e pelo bom jogo aéreo e não faz a torcida ter tanta saudade do capitão Gum, machucado.

A boa safra de jovens faz o País ter esperança de dias melhores após o vexame contra a Alemanha na Copa do Mundo.      

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