Garoto brasileiro de apenas 9 anos tenta jogar na Roma

Bancado pelo pai, Caio treina em busca de uma vaga; garoto nasceu em berço de ouro e tem história atípica

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2008 | 19h26

O mais novo integrante da legião de brasileiros em atividade no futebol europeu não ganha salário, sonha virar popstar e o mais incrível: tem só 9 anos de vida. Caio Werneck é outro talento precoce a trocar os campos do País pelo exterior em busca de um sucesso incerto. Sua história, no entanto, não é atípica somente pela pouca idade. Ao contrário da maioria dos meninos que tenta a sorte nos gramados mundo afora, Caio nasceu em berço de ouro. Seu pai, ex-jogador de futebol de pouco destaque, é dono de transportadora e de posto de gasolina em Juiz de Fora (MG), onde mora e mantém os negócios. Israel Werneck banca a estada do filho na Itália, uma vez que o menino, até completar 14 anos, não pode assinar o primeiro contrato com a Roma, clube pelo qual treina. Portanto, não recebe nenhum centavo. O pai só não paga hospedagem porque tem um apartamento na capital italiana. Há dez anos, Israel visita Roma com freqüência. Tem amigos lá, como o ex-zagueiro Aldair e o treinador das categorias de base do time romano, Ricardo Perlingeiro. Diz ter criado esse vínculo quando atuou num time da Terceira Divisão do futebol italiano, mas nega que isso tenha influenciado na ‘contratação’ de Caio. O garoto foi pinçado numa clínica de futebol promovida pelo clube italiano, em junho, em Petrópolis, na região serrana do Rio. "Ele realmente é bom de bola", disse o pai coruja, que já levou muitos garotos para fazer teste na Roma. A maioria não vingou e voltou para casa. Caio já incorporou o jeito boleiro. De boné branco, tênis da moda, calção e casaco da Roma, desembarcou nesta quinta-feira no Rio para passar férias até janeiro. Trouxe na mala uma série de recomendações da comissão técnica. Terá de controlar a alimentação e manter a preparação física para não perder a forma. Parece até profissional. "Uma vez o treinador me tirou de um jogo: eu não estava correndo", contou. Caio até hoje se lembra do dia em que o meia Totti, craque da Roma, lhe deu um tchau. Não se esquece também da convivência com os brasileiros Julio Baptista, Taddei, Cicinho, Juan e Doni. "Eles são legais", disse o menino, que passou a exercer a função de zagueiro na Itália - era meia-atacante no Brasil - e já sentiu na pele a diferença de estilo de jogo. "Olha a marca roxa (na altura da barriga)", mostrou ao pai, levantando a camisa. Israel notou que o filho emagreceu. Estava, segundo ele, com "a barriguinha" menor. A mãe Alessandra, com quem Caio mora na Itália, confirmou. "Deve ter perdido uns 5 quilos". Com a vida regrada, veio também a expectativa de Caio de tornar-se um fenômeno da bola. O garoto já sonha em chegar à seleção brasileira - e só é contido pelo seu maior conselheiro. "Já vi muitos Zicos e Maradonas não chegarem a lugar nenhum", explicou Israel. "Falo sempre: ‘Ô Caio, vamos devagar’. Ele está feliz e nem pensa em jogar fora da Europa". OPORTUNIDADE CARAMais Caios podem surgir em breve. A Roma vai realizar a segunda clínica de futebol no Brasil em dezembro, entre os dias 14 e 20, em Barra do Piraí, a 110 quilômetro do Rio. E já planeja fazer a terceira edição no ano que vem, em São Paulo. O preço por inscrição é de R$ 1.650. Atualizado às 22h55 para acréscimo de informação

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