Tim Keeton / EFE
Tim Keeton / EFE

Garoto de 12 anos é detido acusado de ameaça racista a atacante do Crystal Palace

Atacante Wilfried Zaha recebeu, por mensagem privada, insultos racistas e imagens da Ku Klux Klan

Redação, Estadão Conteúdo

12 de julho de 2020 | 16h42

A polícia de West Midlands, na Inglaterra, deteve neste domingo um garoto de 12 anos acusado de enviar mensagens racistas ao atacante Wilfried Zaha, do Crystal Palace, antes da partida contra o Aston Villa, clube do qual o jovem é torcedor.

Segundo a polícia, o garoto mora na cidade de Solihull, próxima a Birmingham, onde está situado o Aston Villa. Ele foi levado sob custódia depois de virem à tona os insultos racistas enviados no sábado por meio das redes sociais ao atacante marfinense.

"Fomos alertados sobre uma série de mensagens racistas enviadas a um jogador de futebol hoje e, depois de analisá-las e realizar verificações, prendemos um garoto", informou a polícia de West Midlands. "O garoto de 12 anos de idade de Solihull foi levado sob custódia. Obrigado a todos que levantaram essa questão. O racismo não será tolerado", completou a corporação.

Antes de o Crystal Palace enfrentar e perder para o Aston Villa por 2 a 0 neste domingo, Zaha denunciou em suas redes sociais ameaça racista que recebeu por mensagem privada em seu Instagram. Ao ver a publicação do jogador, a polícia de West Midlands avisou que investigaria o caso e pouco tempo depois anunciou a detenção.

"É melhor você não marcar amanhã, sua p*** preta. Ou eu irei à sua casa vestido como fantasma", escreveu o torcedor racista, usando um termo pejorativo para ofender racialmente o atleta de 27 anos.

O fã do Aston Villa também enviou duas imagens: uma de um cereal com uma antiga embalagem de cunho racista e outra mostrando membros da Klu Klux Klan (KKK), organização criada no século 19 nos Estados Unidos que defende a supremacia dos brancos sobre os negros e cujos integrantes vestem roupas inteiramente brancas, com capuzes pontiagudos. Hoje, o grupo sobrevive nos EUA com variadas ramificações segregacionistas e contrárias a minorias.

O Crystal Palace e o Aston Villa se solidarizaram com Zaha e manifestaram repúdio em relação aos insultos raciais. O treinador do clube londrino, Roy Hodgson, chamou os insultos de "desprezível" e avaliou que a atitude de Zaha de trazer o caso à tona foi acertada.

"É lamentável que em um dia de jogo um atleta acorde com esse tipo de mensagem covarde e desprezível. Eu penso que Wilfried fez o certo em se manifestar, não acho que seja bom ficar quieto diante de casos assim", afirmou o técnico.

A Premier League afirmou que "esse comportamento é completamente inaceitável" e assegurou que "está ao lado de Wilfried Zaha e se opõe a qualquer forma de discriminação". "Continuaremos a apoiar jogadores, treinadores e membros de suas famílias que receberem graves abusos discriminatórios online", acrescentou.

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