José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Garotos do São Paulo vivem momento de baixa no clube

Poucas oportunidades e falta de perspectivas no médio prazo incomodam até parte da diretoria

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 07h00

Quando subiram das categorias de base do São Paulo, Boschilia, Ewandro, Lucão e Auro eram apontados como capazes de brigar por uma vaga na equipe principal rapidamente, mas a realidade tem sido bastante diferente e os jovens. Apontados dentro do clube como os pilares do time no futuro, eles amargam poucos minutos em campo e não têm perspectiva de uma sequência de jogos no curto prazo.

Parte da diretoria tem ficado incomodada com a falta de oportunidades e com o que enxergam como falta de paciência de Muricy Ramalho para lidar com os garotos. A partida contra a Chapecoense foi utilizada como exemplo para justificar as críticas.

"Primeiro o Muricy escala o Ewandro do nada depois de meses e tira o menino no intervalo. Aí o Boschilia entra e sai minutos depois para deixar o Kardec, que estava mal. O Auro de repente virou reserva de dois improvisados. Claro que o time está em um momento importante, mas uma hora precisam ser testados até para saber se têm alguma chance de crescimento", disse ao Estado um membro da diretoria.

A reclamação não parte só dos dirigentes. Um dos motivos que fizeram Lucão se negar a assinar um novo vínculo com o clube era o receio de ser pouco utilizado pelo treinador e perder a chance de evoluir. Acabou demovido da ideia pelo vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, um dos maiores entusiastas do potencial do defensor. Promovido por Paulo Autuori, ele chegou a ter chances na equipe, mas falhou em alguns lances e passou a ser a última opção para a defesa.

ANSIEDADE

As maiores expectativas no entanto estão em torno de Boschilia e Auro. O lateral teve ascensão meteórica depois de estrear contra o Goiás, mas desde que deixou a equipe por lesão não teve mais chance e agora é reserva de Paulo Miranda e Hudson. Segundo o treinador, o jovem - que já foi observado por grandes clubes europeus - deve atuar mais avançado por causa das dificuldades de marcação.

Boschilia, por sua vez, teve trajetória parecida e até ganhou uma vaga como titular contra o Botafogo, no primeiro turno, mas rapidamente foi sacado e ficou ainda mais sem espaço depois das chegadas de Kaká e Michel Bastos. Agora, entra geralmente nos últimos minutos. O meia inclusive foi pivô de uma polêmica após o jogo contra o Corinthians no primeiro turno quando foi duramente criticado pelo treinador ainda no gramado. A bronca pública causou desconforto na cúpula.

"É verdade que eles são novos, mas precisam ser testados; olha o Gabriel no Santos, o Carlos no Atlético-MG.Será que o Lucas teria chegado onde chegou se o técnico fosse outro? Será que o Oscar teria nos traído para ir para o Inter", questionou o dirigente.

A princípio o São Paulo não planeja emprestar os garotos para que eles ganhem experiência. Nos planos da diretoria, o time contratará até três jogadores para o ano que vem e o resto das vagas. Neste ano, o custo para manter o CT de Cotia está estimado em R$28 milhões. Os frutos dessa safra, no entanto, ainda parecem longe de amadurecer.

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